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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Minha “praia” (ou como comecei a cantar)

Sempre me perguntam quando eu comecei a cantar. Minha vontade é de responder: “Desde sempre”, pois canto literalmente desde quando era pequena. Todo mundo começa pequeno, é verdade, mas uns param; outros continuam. Eu continuei.

Só que continuei muito quietinha, não querendo que ninguém me ouvisse. Cantava em casa, quando todos saíam, ou no chuveiro (dizem até que o chuveiro faz com que todos se sintam cantores profissionais, e deve ser mesmo), na ilusão de que ninguém me ouvia.

Um belo dia, mesmo com toda a minha timidez na época, depois de muito namorar um curso de música que oferecia aulas de canto, resolvi tentar. Fiz uma aula experimental e me matriculei. Isto durou pouco tempo, pois tinha que me dedicar aos estudos (não musicais, bem entendido).

Anos depois, já trabalhando (fora da música, em uma empresa de engenharia), vi outro curso de música, na Tijuca, e resolvi voltar a estudar canto. Fiz por um bom tempo umas aulas em dupla com outra cantora, que veio a se tornar minha amiga — a Clau. Meu professor, Marco Aurélio, tinha um home studio, e lá gravei um CD demo.

Depois veio o Centro Musical Antonio Adolfo, onde fiz aulas com outra amiga, a Lu. Lá, fiz minha primeira apresentação, no extinto Mistura Fina, onde cantei Fly me to the moon. Aí me disseram que no palco eu não parecia nada tímida. Delícia ouvir isso!

Anos depois, procurando por uma lista de discussão sobre música, encontrei casualmente uma lista chamada M-Música, da qual participo até hoje. Ali conheci gente de vários cantos do Brasil (e do mundo), com variados graus de envolvimento com música: cantores, músicos, compositores, jornalistas, simples (simples?) ouvintes etc. Vi nascerem as parcerias mais improváveis e até me arrisquei compondo algumas canções.

Cantei no coral da ASA (Associação Scholem Aleichem), judaica, que aceita pessoas de qualquer orientação religiosa, bastando ter disposição para cantar de tudo (em ídiche, ladino, hebraico, inglês e até português).

A primeira vez que conheci alguém da M-Música, foi no show da Marianna Leporace, integrante da lista, chamado São Bonitas as Canções, em dupla com a pianista Sheila Zagury. Acabei fazendo amizade com a Marianna e com vários “musgueiros”, como se denominam os participantes da M-Música.

Quando assisti àquele show, fiquei tão encantada quanto um menino do interior que vê o mar pela primeira vez — com olhos (e ouvidos) encantados! Talvez a Marianna não tenha noção do quanto esse show me impactou na vida, mas a verdade é que eu encontrei ali a minha “praia”.

Ali entendi o que é um show intimista — até então, só havia assistido a grandes shows, o que não me causava quase nenhuma comoção. Mais do que isso: conheci a junção perfeita entre música e teatro, sem que o espetáculo fosse uma peça musical. Mais ainda: descobri o que queria fazer para sempre (essas duas palavrinhas que sempre me causaram pânico).

Claro que, no fundo, eu ainda era muito insegura e não achava que daria conta, como a Marianna, de cantar para um público. Mas isso mudaria alguns anos depois...

(Texto a ser continuado)

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