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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Minha “praia” (ou quando comecei a cantar) – Parte II

Com a M-Música, vieram os saraus musicais, que chamávamos de “Segunda Segunda” e aconteciam na segunda segunda-feira de cada mês, como diz o nome.

Os saraus eram bem democráticos, mas privilegiavam a música autoral, independente e inédita.

No Panorama — um restaurante e pequena casa de shows no Leblon, onde o evento acontecia—, fui conhecendo mais músicas e também me desinibindo. Ali paguei muitos micos, saí derrotada várias vezes, confiante outras tantas, mas foi assim que comecei a realmente desenvolver o meu canto — sempre fazendo minhas aulas de técnica. Porque uma coisa é cantar para o professor; outra, bem diferente, é cantar para um público – ainda mais um público formado por músicos que você respeita e admira! Imaginaram o tamanho da responsabilidade?

Claro que vocês se lembram que citei a Marianna Leporace, né? Pois fomos nos aproximando mais, ficando mais amigas, e eu fui ficando cada vez mais fã de sua arte.

Um belo dia, ela me pergunta se eu continuava fazendo aula de técnica vocal. (Ou fui eu que pedi uma sugestão de professor? Sei lá, não lembro). Só sei que ela estava começando, na época, a dar aulas para o sobrinho, e me perguntou se eu queria ser também sua aluna. E o melhor: de graça, pois eu seria uma “cobaia”. Claro que topei!

Numa das aulas, ela me disse que eu tinha mesmo era que começar “nos palcos da vida”, sair dos limites (e do conforto) do Panorama, ou seja, “pagar pra ver”. Mesmo meio assustada com a proposta, fiquei também animada. Então, começamos a escolher um repertório.

Claro que, na época, eu não tinha a menor noção e fui escolhendo as músicas que curtia cantar. Ao que ouvi da Mari: “Nossa, isto está um siri com Toddy”! Morremos de rir e ela teve uma ideia: selecionar músicas inéditas, que nasceram na M-Música.

Perfeito! O que não faltavam eram músicas inéditas (ou nem tão inéditas assim, mas autorais) e de qualidade. Depois, o trabalho da Marianna seria me preparar para o palco. Ou seja, em vez de técnica vocal, nossos encontros focariam o trabalho cênico. Era mesmo o que eu mais estava precisando naquele momento!

Mas antes, precisávamos ouvir muitas músicas e ir escolhendo as que eu realmente cantaria em um show — e, possivelmente, gravaria depois, com calma. Aí, descobri que selecionar repertório é um exercício de desapego. Eu devo ter escolhido, com a ajuda da Marianna, umas 40 músicas pelo menos, das quais deveria selecionar apenas 12 ou 13.

E que caminho seguir? Uma linha mais pop? Mais nordestina? Mais urbana? Eu não queria nada disso. Falei que essa, aquela e mais aquela outra música tinham que entrar e pronto, mesmo que não tivessem nada a ver umas com as outras. Olha o “siri com Toddy” novamente!

E foi assim mesmo que o repertório ficou! Nada de seguir uma linha “isso ou aquilo”. Eu sou eclética, gosto de várias coisas diferentes, então por que não fazer um show exatamente dessa forma, ou seja, eclético? O único elo entre as canções seria mesmo a M-Música, onde elas nasceram.

Ah, não contei que tivemos a ajuda especialíssima do Thiago Silva, um ótimo violonista, arranjador e compositor, que estava começando a mostrar seu trabalho por aí!

Nos idos de 2007, então, fiz minha estreia no Café Palácio, um bar no Catete. Com o Thiago Silva no violão e nos arranjos, Vini Lobo no baixo e Rodrigo Reis (que não é meu parente, mas bem que poderia ser) na percuteria.




Eu, Rodrigo Reis, Vini Lobo e Thiago Silva

Foi boa demais essa estreia! Eu fiquei até calma, dada a situação, né, gente? E vieram outros shows, claro.


Eu e minha Dinda musical Marianna Leporace, em outro show, no mesmo local

(Continua)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Minha “praia” (ou como comecei a cantar)

Sempre me perguntam quando eu comecei a cantar. Minha vontade é de responder: “Desde sempre”, pois canto literalmente desde quando era pequena. Todo mundo começa pequeno, é verdade, mas uns param; outros continuam. Eu continuei.

Só que continuei muito quietinha, não querendo que ninguém me ouvisse. Cantava em casa, quando todos saíam, ou no chuveiro (dizem até que o chuveiro faz com que todos se sintam cantores profissionais, e deve ser mesmo), na ilusão de que ninguém me ouvia.

Um belo dia, mesmo com toda a minha timidez na época, depois de muito namorar um curso de música que oferecia aulas de canto, resolvi tentar. Fiz uma aula experimental e me matriculei. Isto durou pouco tempo, pois tinha que me dedicar aos estudos (não musicais, bem entendido).

Anos depois, já trabalhando (fora da música, em uma empresa de engenharia), vi outro curso de música, na Tijuca, e resolvi voltar a estudar canto. Fiz por um bom tempo umas aulas em dupla com outra cantora, que veio a se tornar minha amiga — a Clau. Meu professor, Marco Aurélio, tinha um home studio, e lá gravei um CD demo.

Depois veio o Centro Musical Antonio Adolfo, onde fiz aulas com outra amiga, a Lu. Lá, fiz minha primeira apresentação, no extinto Mistura Fina, onde cantei Fly me to the moon. Aí me disseram que no palco eu não parecia nada tímida. Delícia ouvir isso!

Anos depois, procurando por uma lista de discussão sobre música, encontrei casualmente uma lista chamada M-Música, da qual participo até hoje. Ali conheci gente de vários cantos do Brasil (e do mundo), com variados graus de envolvimento com música: cantores, músicos, compositores, jornalistas, simples (simples?) ouvintes etc. Vi nascerem as parcerias mais improváveis e até me arrisquei compondo algumas canções.

Cantei no coral da ASA (Associação Scholem Aleichem), judaica, que aceita pessoas de qualquer orientação religiosa, bastando ter disposição para cantar de tudo (em ídiche, ladino, hebraico, inglês e até português).

A primeira vez que conheci alguém da M-Música, foi no show da Marianna Leporace, integrante da lista, chamado São Bonitas as Canções, em dupla com a pianista Sheila Zagury. Acabei fazendo amizade com a Marianna e com vários “musgueiros”, como se denominam os participantes da M-Música.

Quando assisti àquele show, fiquei tão encantada quanto um menino do interior que vê o mar pela primeira vez — com olhos (e ouvidos) encantados! Talvez a Marianna não tenha noção do quanto esse show me impactou na vida, mas a verdade é que eu encontrei ali a minha “praia”.

Ali entendi o que é um show intimista — até então, só havia assistido a grandes shows, o que não me causava quase nenhuma comoção. Mais do que isso: conheci a junção perfeita entre música e teatro, sem que o espetáculo fosse uma peça musical. Mais ainda: descobri o que queria fazer para sempre (essas duas palavrinhas que sempre me causaram pânico).

Claro que, no fundo, eu ainda era muito insegura e não achava que daria conta, como a Marianna, de cantar para um público. Mas isso mudaria alguns anos depois...

(Texto a ser continuado)

Caminha

Estou caminhando! :)