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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Defeitinhos

Fico pensando nessa nossa mania de querer parecer perfeitos. Temos que ser muito magrinhos, elegantes, estar muito bem vestidos, sem aparentar cansaço — por mais exaustos que estejamos.

Não podemos nem mesmo deixar transparecer nossas emoções. Se aparentarmos estar felizes, alguém pode nos invejar; se parecermos tristes, podem ficar com pena – e este sentimento nós dispensamos, certo?

Arre, estou farto de semideuses!

Detesto lidar com robôs, seja num atendimento telefônico pelos próprios — quem já teve que ligar pra Oi e teve ódio do Eduardo levanta a mão! —, seja pessoalmente, quando o atendente não dá um sinal de solidariedade que seja.

Voltando aos nossos defeitinhos, quem nunca se apaixonou por um dentinho torto ou um pé-de-galinha que dá todo o charme àquela pessoa? Ah, sim, nós até ignoramos (ou curtimos) o defeito do outro! Por que, então, os nossos próprios incomodam tanto?

Não seria libertador nos apaixonarmos pelas nossas falhinhas também? Por que tanta mania de perfeição? Por que precisamos ser tão duros com nós mesmos?

Onde fica a nossa humanidade?

Pra pensar:
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro (Clarice Lispector).

Pra ouvir:



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