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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

LHC se mudou para Saturno

Hoje uma amiga “se mudou para Saturno”, como ela mesma costumava dizer. Lucia Helena Corrêa foi jornalista, cantora, escritora, poetisa e ainda cozinheira por gosto. Tanto que, mesmo só podendo comer um pratinho bem pequeno, apreciava cozinhar pros amigos. Vê-los satisfeitos a satisfazia. E que comida gostosa! Que abraço bom! Que risada boa de ouvir!

Ontem escrevi no Facebook um pequeno texto sobre ela. Mas hoje fiquei pensando que um resumo assim não sintetiza uma pessoa. Muito menos uma pessoa como a LHC (como assinava).

A Lucia Helena já apanhou um bocado da vida, teve que aprender a lutar, a enfrentar preconceitos, então não era uma pessoa das mais fáceis de lidar. Mas os amigos conheciam seu lado mais doce e sensível.

Aliás, sensibilidade não lhe faltava! Cantava com a alma e com o corpo todo. Era chegada numa música mais "dor de cotovelo”. Porque fraquinha ela não era! Nada de musiquinha “nhé-nhé-nhé”, senão, como cantar daquele jeito, se rasgando toda por dentro (e mostrando pra quem quisesse ver e ouvir)?

Eu gostava do seu humor ácido, quase azedo, mas até meio inocente. E já falei da sua risada, né? Gosto de me lembrar dela assim, sorrindo escancarado. Era sua marca registrada.
Quando queria dizer alguma coisa, nada de mandar recado: era na lata. Mas com doçura. Força e doçura. Só ela pra juntar coisas tão extremas, quase opostas!

Sei que vou cair no clichê se disser que ela foi um exemplo. Mas ela foi mesmo. Conviveu anos com o lúpus, uma doença autoimune que lhe atacou os rins e o coração, que ela dizia ter crescido tanto pra suportar tanto amor. Tanta paixão! Era uma pessoa que não vivia sem paixão. Por pessoas, por ideais, pela vida.

Uma coisa que ela me ensinou (talvez até sem saber) é que nada é impossível. Tudo se pode, desde que se queira muito e se batalhe por aquilo em que se acredita.

Como a LHC era candomblecista, agora deve estar sendo guardada pelos seus orixás.
Vá com Deus (ou Olorum) e fique em paz, “o estado mais parecido com a felicidade que eu conheço”, como você dizia!

Em sua homenagem, compartilho Cartola cantando “O mundo é um moinho”, uma de suas preferidas de autoria dele. E, como não poderia deixar de ser, uma canção sua, em parceria com Bráu Mendonça, “Lua de outono”.

Axé, LHC!






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Inteligência e poder

Adoro pessoas inteligentes e cultas! Admiro-as e gosto de estar rodeada por elas, de conversar, trocar, enfim: aprender.

Em compensação, existe uma categoria de “pessoas cultas e inteligentes” de quem eu sinceramente prefiro distância. Estou falando daqueles seres que usam sua inteligência e conhecimento para demonstrar poder.

Poder, aliás, é algo que costuma mostrar o caráter de alguém. Sim, porque basta dar poder a alguns (qualquer poder; seja grande, como a presidência de uma companhia, seja pequeno, como a responsabilidade de abrir e fechar portas, por exemplo) para que suas máscaras caiam. Felizmente, isto não acontece com todos.

Acontece que tanto a inteligência quanto o conhecimento são muito bons quando podem ser compartilhados. Se não podem, de que servem? Creio que a resposta para essa pergunta ficou fácil.

Além do mais, qualquer poder, quando mal usado, pode ser um objeto de dominação ou, no mínimo, de demonstração de superioridade. E a inteligência não está livre disso.