Quem sou eu

Minha foto
Petrópolis, RJ, Brazil
Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Herói ou humano?

Não gosto especialmente de super-heróis. Nunca vi muita graça em ter, supostamente, poderes que ninguém tem na realidade. Seus filmes estão longe de serem meus preferidos.

Claro que seria bom ter visão de raio-X, o dom da invisibilidade ou até poder sair voando por aí. Mas, uma vez que nós, meros mortais, não podemos fazer nada disso, não fantasio que um salvador apareça, usando roupas esquisitas, e nos salve dos perigos da vida.

Uma exceção, apenas, à regra (porque elas sempre existem): Super-homem, ou Superman, como resolveram chamá-lo agora também por aqui.

Um sujeito que nasce em outro planeta (Krypton) é enviado à Terra para abandonar seu planeta moribundo, é adotado ainda bebê, perde seus pais e descobre que tem a missão de ajudar a raça humana.

O motivo para gostar dessa história? Ele não apenas se disfarça de uma pessoa normal. Clark Kent É um cara normal, que só vem a descobrir seus superpoderes tarde, quando seu pai adotivo morre.

Mas a principal razão pela qual simpatizo com esse herói é puramente romântico (sim, já disse que sou romântica assumida e incurável): ele se apaixona por Lois Lane, que se acidenta e morre. E mesmo sendo avisado por seu pai para não interferir na história humana, ele se desespera e resolve alterar a rota do planeta só para salvá-la. Nada mais humano (e romântico), não?

A história é tão bonita que rendeu uma belíssima música: Super-homem, a canção, uma das minhas preferidas de Gilberto Gil.

Super-herói coisa nenhuma: o Super-homem é super-humano!

* Para ouvir: Super-homem, a canção.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Tempo, esse artigo de luxo


Se eu tivesse que pedir alguma coisa da vida, agora, seria simplesmente: mais tempo. Pra comer com mais calma, ler mais, estudar sem tanta pressa, ir ao cinema, ao teatro, bater papo despreocupadamente (ao vivo; pela internet não vale), dançar (coisa que eu amo), escrever ou até pra não fazer nada.

Detesto essa correria que se instaurou na nossa vida! Comer correndo, ler um pouquinho só antes de dormir, estudar quando o trabalho dá uma trégua, dar um “oi” pros amigos pela internet (e olhe lá) e a necessidade de estarmos sempre ocupados, produzindo.

Quando foi que nos tornamos tão apressados? Onde foi parar o nosso tempo livre?

“Tempo é dinheiro”, dizem. Nada mais capitalista! A interpretação dessa máxima é: “não perca tempo com bobagens”. “Dormir é para os fracos”. “Descansar é para os molengas”.
Ahhhhh, então eu sou fraca, molenga, “loser”! Se “vencer na vida” é não ter tempo pra respirar, então não quero “vencer” coisa nenhuma!

Afinal, “vencer” o quê, cara-pálida? O que você aí, que trabalha feito um condenado e nem tem tempo de ver seus filhos crescerem, ganha no final das contas? Tem dinheiro suficiente pra viajar o mundo, mas não consegue tirar nem umas férias de uma semana...

Se a sua riqueza se resume à sua conta bancária, há algo de muito errado com você. Deus me livre dessa “gente careta e covarde”!

Luxo mesmo é poder visitar um museu sem pressa, passar uma tarde lendo ou batendo papo e dando risada. Parar pra ver uma paisagem bonita, um voo de pássaro, um arco-íris... Um sonho de consumo meu: mais tempo pra nada, absolutamente nada.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

LHC se mudou para Saturno

Hoje uma amiga “se mudou para Saturno”, como ela mesma costumava dizer. Lucia Helena Corrêa foi jornalista, cantora, escritora, poetisa e ainda cozinheira por gosto. Tanto que, mesmo só podendo comer um pratinho bem pequeno, apreciava cozinhar pros amigos. Vê-los satisfeitos a satisfazia. E que comida gostosa! Que abraço bom! Que risada boa de ouvir!

Ontem escrevi no Facebook um pequeno texto sobre ela. Mas hoje fiquei pensando que um resumo assim não sintetiza uma pessoa. Muito menos uma pessoa como a LHC (como assinava).

A Lucia Helena já apanhou um bocado da vida, teve que aprender a lutar, a enfrentar preconceitos, então não era uma pessoa das mais fáceis de lidar. Mas os amigos conheciam seu lado mais doce e sensível.

Aliás, sensibilidade não lhe faltava! Cantava com a alma e com o corpo todo. Era chegada numa música mais "dor de cotovelo”. Porque fraquinha ela não era! Nada de musiquinha “nhé-nhé-nhé”, senão, como cantar daquele jeito, se rasgando toda por dentro (e mostrando pra quem quisesse ver e ouvir)?

Eu gostava do seu humor ácido, quase azedo, mas até meio inocente. E já falei da sua risada, né? Gosto de me lembrar dela assim, sorrindo escancarado. Era sua marca registrada.
Quando queria dizer alguma coisa, nada de mandar recado: era na lata. Mas com doçura. Força e doçura. Só ela pra juntar coisas tão extremas, quase opostas!

Sei que vou cair no clichê se disser que ela foi um exemplo. Mas ela foi mesmo. Conviveu anos com o lúpus, uma doença autoimune que lhe atacou os rins e o coração, que ela dizia ter crescido tanto pra suportar tanto amor. Tanta paixão! Era uma pessoa que não vivia sem paixão. Por pessoas, por ideais, pela vida.

Uma coisa que ela me ensinou (talvez até sem saber) é que nada é impossível. Tudo se pode, desde que se queira muito e se batalhe por aquilo em que se acredita.

Como a LHC era candomblecista, agora deve estar sendo guardada pelos seus orixás.
Vá com Deus (ou Olorum) e fique em paz, “o estado mais parecido com a felicidade que eu conheço”, como você dizia!

Em sua homenagem, compartilho Cartola cantando “O mundo é um moinho”, uma de suas preferidas de autoria dele. E, como não poderia deixar de ser, uma canção sua, em parceria com Bráu Mendonça, “Lua de outono”.

Axé, LHC!






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Inteligência e poder

Adoro pessoas inteligentes e cultas! Admiro-as e gosto de estar rodeada por elas, de conversar, trocar, enfim: aprender.

Em compensação, existe uma categoria de “pessoas cultas e inteligentes” de quem eu sinceramente prefiro distância. Estou falando daqueles seres que usam sua inteligência e conhecimento para demonstrar poder.

Poder, aliás, é algo que costuma mostrar o caráter de alguém. Sim, porque basta dar poder a alguns (qualquer poder; seja grande, como a presidência de uma companhia, seja pequeno, como a responsabilidade de abrir e fechar portas, por exemplo) para que suas máscaras caiam. Felizmente, isto não acontece com todos.

Acontece que tanto a inteligência quanto o conhecimento são muito bons quando podem ser compartilhados. Se não podem, de que servem? Creio que a resposta para essa pergunta ficou fácil.

Além do mais, qualquer poder, quando mal usado, pode ser um objeto de dominação ou, no mínimo, de demonstração de superioridade. E a inteligência não está livre disso.