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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

domingo, 6 de outubro de 2013

Sonhando em preto e branco



Pedro só sonhava em preto e branco, e isso o intrigava. Sua vida era boa: ele tinha um bom emprego, um belo apartamento. Viajava muitas vezes, a trabalho ou a passeio. Almoçava fora, com amigos ou com seus pais, todo fim de semana. Tinha bons amigos. Ele realmente não sabia qual era o problema.

Seu analista tentou acalmá-lo, dizendo que um sonho poderia ser em preto e branco ou colorido, mas que dependendo do contexto, não havia problema. Até perguntou como eram os sonhos, se eram bons ou ruins, alegres ou tristes, mas não era nada disso. Eram sonhos “normais”, corriqueiros.

Até uma taróloga Pedro resolveu procurar. Mas ele, que não acreditava nesses assuntos esotéricos, continuou cismado. Nada acalmava sua obsessão. Ele queria saber o porquê desses sonhos sem-graça! Afinal, sua vida até que era bem colorida…

Um sábado, Denise, sua amiga de muitos anos, o chamou para uma festa de aniversário em sua casa. Ele se preparou: vestiu-se bem, como sempre, perfumou-se, levou uma garrafa de vinho. Só não se preparou para a visão que teria, logo ao chegar: Vanessa, uma amiga recente de Denise, era tão linda e charmosa que ele não conseguia parar de observá-la.

Seus amigos repararam no seu interesse, claro. Ele não conseguia mesmo disfarçar seu encanto. Denise, também reparando, se apressou a apresentar os dois. “Prazer”, disse ela. “Encantado”, Pedro respondeu, e beijou sua mão. Ela não segurou o sorriso. “Quem ainda beija a mão?”, pensou, mas bem que gostou do gesto.

Os dois passaram a noite inteira conversando. Não conseguiram se desgrudar. Era como se não houvesse mais ninguém ali; apenas os dois. Os amigos até reclamaram da sua ausência, mas nada adiantou. No final, eles se despediram, mas ele a chamou para um drinque. “Mais um?”, Vanessa fez charme, mas aceitou o convite.

Vanessa e Pedro descobriram tantos interesses em comum, conversaram tanto, que nem viram o dia amanhecer. Então, resolveram ver o mar.

Quando finalmente Pedro voltou para casa, quase não conseguiu desligar a mente, mas acabou dormindo mesmo assim, de tão cansado que estava.

Qual não foi sua surpresa quando teve, depois de tantos anos, seu primeiro sonho colorido. Nunca mais sonhou em preto e branco.

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