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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O racismo em discussão


Quando o vídeo da entrevista com o ator Morgan Freeman começou a ser compartilhado nas redes sociais, muita gente aplaudiu. E eu confesso, fui uma dessas pessoas. Hoje, vejo que há muitas críticas a respeito. Dizem que ele incentiva a não falarmos sobre o tema racismo, para fingir que ele simplesmente não existe. Só que eu não vejo assim.

*** Para quem não assistiu ao vídeo, está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=BOvQnvwbJXw. ***

O que eu entendi da declaração dele é que aquele foi um momento de desabafo de alguém que anda cansado de hipocrisia. Se existe racismo, então vamos criar uma data e calar a boca dessa gente. Assim todo mundo fica feliz: os negros, que ganham um dia pra chamar de seu; e os racistas, que fingem não o ser.

O Morgan Freeman, a meu ver, não propõe o silêncio que consente com o racismo. Muito pelo contrário: ele não quer perpetuar a discriminação com uma data hipócrita. Nem quer ser mais “a black man”. Ele é uma pessoa, ora! Não quer ser visto pela sua cor. Afinal, não é ela que define ninguém.

É o mesmo que dizem sobre o dia internacional da mulher, não é mesmo? Que está virando cada vez mais comercial. Já repararam?

Enquanto se criam comemorações e festinhas, esvaziam-se as consciências. Esquecem-se os verdadeiros motivos das festas. Estes é que não devem ser esquecidos: os motivos.

Esta é somente a minha opinião. Nunca fui racista, e olhem que ouço muitas bobagens à minha volta. Muitas piadas ditas inocentes, que só fazem perpetuar o problema. Não repito tais asneiras.

Gostaria de finalizar dizendo que você pode (tem todo o direito de) discordar de mim. Só não pode jogar em cima de mim a discriminação que já sofreu. Aceitarei as críticas construtivas. As agressões, educadamente dispensarei. OK?

sábado, 10 de novembro de 2012

Alma de poeta


Primeiro de tudo, é preciso definir alma de poeta. Pra isso, nada melhor que recorrer a alguns deles:

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
(Fernando Pessoa)

Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
(Cecília Meireles)

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(Carlos Drummond de Andrade)

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
(Idem)

Muita gente tem alma de poeta, mesmo sem ter escrito uma única poesia. Muito provavelmente, esses são poetas frustrados. Podem ler milhares delas, amá-las, devorá-las, mas nunca serão poetas.

Não acredito em quem escreve versos, mas não vive a poesia.

O poeta de verdade, além de escrever poesia, respira poesia, come poesia, dorme e acorda poesia. A poesia é ar, alimento e cama.

Para ser poeta é preciso, mais do que escrever, viver a poesia. Todos os dias.