Quem sou eu

Minha foto
Petrópolis, RJ, Brazil
Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Cultura da diversão


Outro dia, conversando com um colega de trabalho, percebi que temos uma visão bastante parecida sobre o teatro. Para nós, teatro de verdade tem que ser visceral. Você tem que sair diferente da forma como entrou. Teatro, portanto, é transformação.

Fiquei pensando... Essa condição, a meu ver, diz respeito à arte em geral. Afinal, arte que não faz pensar, que não tem ao menos a intenção de transformar, não é arte. É qualquer outra coisa.

Acontece que, atualmente, pensar assim é praticamente ir na contramão do senso comum. É que impera, nesses tempos, a “cultura da diversão”, onde tudo que não é divertido não serve.
Com a música é assim, com o cinema também, e até mesmo com o teatro. Já ouvi de muitas pessoas diferentes depoimentos como:

“No teatro, só gosto de assistir comédias”.

“Cinema pra mim é diversão. Quando quero pensar, vou ler um livro”.

“Sábado à noite, as pessoas querem sair pra se divertir, beber, brincar. Ninguém quer sentar num teatro pra ouvir Chico Buarque ou Nana Caymmi. É dia de descontração, de dançar e paquerar”.

“No dia a dia, no trabalho, eu já penso demais. Nos momentos de lazer, não quero usar o cérebro”.

Não estou aqui desmerecendo o humor, nem a diversão, de forma alguma. Nem estou dizendo que a arte precisa ser “séria”, sisuda. Também não é isso. 

Todo mundo gosta de se divertir. Acontece que a arte pode ser divertida, mas nem toda diversão é arte. Se você vai a um parque de diversões, por exemplo, dificilmente vai ver arte.

Nada contra quem faz música ou teatro para (se) divertir. Mas repito: arte é transformação.

8 comentários:

  1. A cultura da diversão é a cultura do consumo. As pessoas querem apenas consumir passivamente e pensar requer esforço, tempo. A sociedade atual tornou a felicidade um bem de consumo. Um bem a ser consumido rapidamente. Sem tempo para pensar, construir sentidos, desejar...Dessa forma, perde-se a humanidade. Daí tanta depressão, síndrome do pânico, somatizações e etc. Ótimo para a indústria farmacêutica, não? E as pessoas não percebem o quanto essa recusa ao pensamento é nociva, traz sofrimento. Elas querem tchu, queram tcha e muitos remédios!
    Arte é vida, é transformação, reconstrução de sentidos. A arte caminha com a educação. Para quem quer virar gente... Fernanda Montes

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pronto, fechou! Sem mais comentários, Fernanda! É isso mesmo.
      Beijos!

      Excluir
  2. Onde é o botão de curtir disso aqui? rs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lá no Facebook, tia Marfi! :)
      Beijoooo!!!

      Excluir
  3. Danny, legal você tocar no assunto da questão "visceral" como algo determinante da qualidade da coisa e sua possível caracterização como arte.
    Tenho visto que estas coisas estão mais ao nível do individual: como dizem alguns pesquisadores, há a necessidade de um conhecimento prévio para a compreensão da ARTE, que carrega, comumente, tantos significados trazidos à tona pelo artista que, somente com uma certa bagagem de vivências e experiências aprofundadas, intensas, a pessoa está "pronta"para entender a dimensão daquilo que vê.
    Sei que está falando de algo mais ou menos complicado do que trago, mas insiro este pensamento para tentar adequar a produção do entretenimento (que pode vir a ser arte, se trazida com esta visceralidade proposta) ou a produção de arte - que também traz uma possível dubiedade em sua qualificação, no que "quem estabeleceu que aquilo é arte?".
    Repito, sei do que fala: a banalização da vida, a alienação da pessoa, as pressões de crenças direcionadas ao consumo etc e tal. No entanto, não podemos deixar de ver neste grande "misto quente"que em algumas destas mesmas coisas há uma arte (talvez menor...???) para alcançar a "grande massa" com propósitos objetivamente capitalistas mas eventualmente artísticos... (como pressão e pretensão intelectual e/ou instintiva).
    Dá pra entender o ponto? O visceral das coisas da arte são imanentes e me parece que o visceral das coisas banais está no esforço que fazem para estar ali...
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Erico!
      Entendo o que você está dizendo. Acho... rs
      O bom dos nossos papos é que você sempre traz elementos que me fazem refletir!
      Sei que não é tão simples assim classificar algo como arte, ou pior ainda, como "não arte".
      Mas escrevi esse texto também porque já ouvi muita gente me dizer que a música que eu faço não é suficientemente comercial. Mas o comercial, a meu ver, vai de encontro (mesmo) à arte. Cada um tem um propósito bem diferente.
      E eu ainda prefiro fazer arte, seja como for.
      Um beijão!

      Excluir
  4. Encontrei muitas características minhas neste texto, achei simplesmente PERFEITO. O assunto fincado em seu texto é de extrema importância e acho que combina totalmente com um ditado popular que perdeu seu poder através dos tempos " cabeça não serve só para ter cabelo". Pensar é uma habilidade exclusiva do homem, e deve ser encarada seriamente e usada corretamente como tal.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prezado anônimo, que bom! Só estou curiosa pra saber quem é você... rs
      Beijo e volte sempre (de preferência, assinando)! ;)

      Excluir

Revise também!