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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

domingo, 26 de agosto de 2012

Cadê a espontaneidade?


Ontem, após assistir à reprise de um programa Chico & Caetano, no canal Viva, escrevi no Facebook:

"Um barato assistir Chico & Caetano no Viva! O programa tinha uma espontaneidade incrível, além das músicas, óbvio.

Ainda agora, apareceu o Chico errando a letra de "O quereres" (alguém consegue cantar inteira aí?) logo no início. Aí ele levanta os braços, para os músicos pararem, e diz: "Já errei. Ainda insisto nessa profissão! Mas estou dando tudo de mim, viu, Caetano?", no que este responde: "Mas não exagera".

O público morre de rir e recomeça.

Onde foi parar essa espontaneidade hoje em dia? Até o que parece espontâneo hoje foi ensaiadíssimo...

Ainda bem que existem as reprises!

Ah, um detalhe: que batom é esse, Caetano???!!"

Aí, um amigo comentou que minha pergunta tinha duas respostas: que falta a genialidade da época; e que a Globo engessa tudo o que se propõe a transmitir.

Fiquei pensando: será que tudo se resume à Globo ou ao padrão dela? Ou isso é resultado de um emburrecimento geral? E mais: será que falta mesmo a genialidade da época (que nem está tão distante assim)? Ou simplesmente ela está mais escondida por não ser valorizada? Acredito mais nessa segunda hipótese.

Outro dia mesmo, outro amigo deixou essa questão no ar: será que se o Edu Lobo, ou o Milton Nascimento, ou mesmo o próprio Chico Buarque aparecesse hoje, ele teria o mesmo sucesso? Ou eles (e outros) não seriam a mesma oportunidade? Será que eles estariam amargando um fracasso de público, que precisariam procurar um emprego para sustentar sua arte?

Não sei essas respostas. Fiquei apenas pensando, e resolvi trazer para cá essas reflexões. O que vocês acham? Comentem!

sábado, 25 de agosto de 2012

Depois...


E agora
O que fazer
Com essa ansiedade
Como acalmar
Esse coração
Que fantasia
Que ilude
E me deixa feliz
Com tão pouco?

sábado, 18 de agosto de 2012

Pai Zé


Ele era bem quietinho, não falava muito... Tinha a tolerância bem perto do zero, como aquele personagem, o Saraiva (nisso eu puxei a ele), vivia assobiando e trazia sempre um livro embaixo do braço.

Ele nunca me criou, mas me ensinou muitas coisas. A amar a Bahia, por exemplo. E Jorge Amado. A assobiar. A gostar de ler. A dizer umas coisas engraçadas do nada, depois de ouvir as pessoas falando, falando... A rir com vontade.

Quem me criou foi o Pai Zinho (como eu chamava quando era pequena). Mas ainda bem que eu tive o Pai Zé.

Muitas saudades!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Cultura da diversão


Outro dia, conversando com um colega de trabalho, percebi que temos uma visão bastante parecida sobre o teatro. Para nós, teatro de verdade tem que ser visceral. Você tem que sair diferente da forma como entrou. Teatro, portanto, é transformação.

Fiquei pensando... Essa condição, a meu ver, diz respeito à arte em geral. Afinal, arte que não faz pensar, que não tem ao menos a intenção de transformar, não é arte. É qualquer outra coisa.

Acontece que, atualmente, pensar assim é praticamente ir na contramão do senso comum. É que impera, nesses tempos, a “cultura da diversão”, onde tudo que não é divertido não serve.
Com a música é assim, com o cinema também, e até mesmo com o teatro. Já ouvi de muitas pessoas diferentes depoimentos como:

“No teatro, só gosto de assistir comédias”.

“Cinema pra mim é diversão. Quando quero pensar, vou ler um livro”.

“Sábado à noite, as pessoas querem sair pra se divertir, beber, brincar. Ninguém quer sentar num teatro pra ouvir Chico Buarque ou Nana Caymmi. É dia de descontração, de dançar e paquerar”.

“No dia a dia, no trabalho, eu já penso demais. Nos momentos de lazer, não quero usar o cérebro”.

Não estou aqui desmerecendo o humor, nem a diversão, de forma alguma. Nem estou dizendo que a arte precisa ser “séria”, sisuda. Também não é isso. 

Todo mundo gosta de se divertir. Acontece que a arte pode ser divertida, mas nem toda diversão é arte. Se você vai a um parque de diversões, por exemplo, dificilmente vai ver arte.

Nada contra quem faz música ou teatro para (se) divertir. Mas repito: arte é transformação.