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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O que é normal?


Quase todos os dias, ouço alguém dizendo, ou até a mim mesma, que “Fulano é maluco, Sicrana é doida” etc. Mas se a gente for parar pra pensar, o que é, afinal, ser normal?

Podem deixar, não vou discorrer sobre as muitas síndromes psiquiátricas que surgem a cada dia. Nem vou entrar no mérito de que todo mundo hoje tem certas características dessas síndromes e, se procurar um psiquiatra, vai acabar sendo enquadrado como doente. Não, não serei polêmica a este ponto.

Queria só dizer que acho ótimo quando alguém diz que sou maluca. Sim, pois num mundo onde a falta de educação, bom senso e respeito ao próximo é o normal; onde se fazem as maiores atrocidades, se cometem os crimes mais bárbaros, se rouba descaradamente e nada acontece; onde o bacana é ser desonesto mesmo, pois “malandro é malandro e mané é mané”; onde é legal ser bonito, descolado, malhado e sem cérebro; onde se passa por cima dos outros sem a menor dor na consciência; onde ninguém é de ninguém, onde não se quer relacionamento algum porque dá muito trabalho, dou graças a Deus de ser “fora do esquadro”!


Pra quem ainda não se convenceu, um "recadinho básico":





quinta-feira, 15 de março de 2012

O inferno são os outros!


Muita gente reclama, e com razão, da falta de educação das pessoas. Da falta de repeito, outras da inveja, outras ainda da falsidade. Concordo que tudo isso é bem desagradável. Mas um comportamento tem me deixado ainda mais incomodada, por ser cada vez maior: o individualismo.

Certos comportamentos me irritam demais, mas não é por ser muito “certinha” ou “careta”. Um exemplo está numa simples ida ao supermercado. Não é raro encontrarmos, ao fazer compras, carrinhos parados bem longe de seus “donos”, que nem sequer se preocupam em deixá-los no canto, para não atrapalhar ninguém.

Outras pessoas param no meio de uma rua, já estreita, em frente ao jornaleiro, para ler as notícias do dia. Pra que se incomodar com os outros que estão passando apressados? Dar passagem? Nunca. Problema deles!

Está chovendo, seu guarda-chuva é enorme e você precisa esperar pelo ônibus? Esqueça os outros que estão bem ali atrás, tentando ver se sua condução se aproxima. O que importa é você se proteger, mesmo que seu guarda-chuva tape a visão deles.

E é isso que me irrita de verdade: eu sempre me preocupo em não incomodar. Mas parece que sou exceção.

Outro dia assisti a um vídeo que vai justamente na direção oposta desta tendência. Achei incrível:



Vamos passar adiante essa ideia? Pois como dizia o profeta, “gentileza gera gentileza”.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Choro alegre


Quando estou triste, choro
Se sinto raiva, às vezes choro
Até vendo novela
Sinto os olhos marejarem
Se vejo uma boa história, choro
Quando termina um amor, choro
Se algo triste acontece, choro
Mas choro mais gostoso não tem
Que chorar de gargalhar

segunda-feira, 12 de março de 2012

Por que (ainda) precisamos do 8 de março

No dia 8, pensei e repensei em escrever. Mas não sabia muito bem como expressar minha simpatia pela data. Não, não faço questão de parabéns por ser mulher. Sei que não é fácil, no dia a dia.

Agradeço, mas não é isso.

Significa menos ainda me presentear com vestidos, maquiagens, acessórios.

Hoje, finalmente, li o que faltava dizer sobre a data. Leiam também:

http://impressoesexpressas-claudia.blogspot.com/2012/03/8-de-marco-e-historia-de-manu.html#comment-form

Acho que não preciso dizer mais...

Os orientais e suas lições


Depois de assistir a (mais) uma reportagem sobre os japoneses lembrando uma de suas tragédias, fiquei pensativa. Me bateu uma tristezinha, sem saber por quê.

Desastres naturais acontecem, e são mesmo, muitas vezes, previsíveis. Mas a gente, principalmente do lado ocidental do nosso planeta, tenta se esquecer disso a qualquer custo. Mas o que mais me entristeceu foi saber como somos pouco preocupados com o coletivo. Tão diferentes dos orientais.

Aliás, esses povos milenares me parecem, em muitos pontos, muito mais adiantados que nós. Eles tratam bem seus velhos, a quem valorizam, pela experiência, sabedoria e maturidade. Eles sabem viver em sociedade. Eles se preparam para o futuro. Eles não têm, como nós, medo de envelhecer. Sua alimentação é pensada para evitar doenças. Seu estilo de vida reflete a preocupação com o futuro. De todos.

Não estou dizendo, aqui, que precisamos todos deixar nossos países de origem e ir morar no Japão, Índia ou China. Apenas que é bom conhecermos um pouco do pensamento daqueles que moram lá do outro lado da Terra. Eles não são nada bobos, e têm muito a nos ensinar.

sábado, 3 de março de 2012

Oração


Que eu saiba sempre aceitar as mudanças da vida – sejam elas quais forem.
Que eu mantenha sempre a alegria de viver.
Que eu continue sempre sensível, ainda que chorona e chata.
Que meu corpo e minha mente sejam sempre compatíveis.
Que eu continue me encantando.
Que eu ame (inclusive a mim mesma) incondicionalmente.
Que eu saiba conservar meus amigos – ao menos os melhores.
Que eu possa perder tudo, mas não perca a dignidade, nem a vontade de seguir em frente.
Que eu tenha sempre orgulho – e nunca vergonha – das marcas do tempo no meu rosto e corpo (que eu lembre que elas contam minhas lágrimas e meus risos).
Que eu não perca a fé – na Arte, no amor, na vida, nas pessoas, no mundo.
Que eu continue desapegada de dinheiro – mas não tenha problemas ou culpa em ganhá-lo.
Que eu não vire uma louca consumista, ainda que ganhe muito dinheiro.
Que eu consiga continuar trabalhando no que gosto - ou que, ao menos, goste do que for fazer.
Que eu conserve o humor – mesmo que nem todos o entendam.
Amém.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Exercício de sensibilidade


Certa vez, estava assistindo à entrevista de uma atriz (não vem ao caso o nome dela) na televisão. Não me lembro de metade do que ela disse, mas uma coisa me marcou: ela comentou que o ator precisa constantemente fazer exercícios de sensibilidade. Senti falta do entrevistador perguntar que tipo de exercício é esse, mas de qualquer forma, isso me fez pensar.

Trazendo essa reflexão para a música, concluí que todo artista precisa exercitar sua sensibilidade. E não só os artistas.

Lembro que, uma vez, a repórter Glória Maria fez uma palestra na minha faculdade (pra quem não sabe, sou formada em Comunicação Social). E ela falou que o jornalista, diante de tantas notícias alarmantes todos os dias, facilmente vai “endurecendo”. Então, é importante que ele não perca... Adivinhem? A sensibilidade! Tudo para que ele não ache tudo banal demais e perca a capacidade de se indignar ou se encantar diante de um fato.

É assim também que os artistas precisam agir, afinal, a gente não pode perder a capacidade de se encantar e de se indignar. Pare um pouco e pense: quantos artistas parecem apenas abrir a boca e repetir palavras, tal qual papagaios, ou pior, robôs?

O tal exercício de sensibilidade da atriz continua sendo um mistério para mim (afinal, o bendito jornalista não se ligou que muita gente poderia se interessar). Mas tenho cá meus métodos. Ouvir música, ler, assistir a filmes, peças, exposições, espetáculos de dança são só exemplos. Mas o mais importante é procurar fazer tudo isso com o olhar de uma criança, que está vendo tudo pela primeira vez.

Ninguém é mais sensível que uma criança, que ainda está começando a conhecer o mundo.