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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Minha mãe é minha voz

Ela foi a primeira voz
Desde a primeira vez
Que o som se fez
Nunca desafinou
Nunca perdeu o tom
Cantarolava feliz
Cada verso diz mais
Quando vem emoldurado por sua voz
E eu aprendi muito bem
Sempre tento ecoar
A voz primeira
A voz mais bela
A voz de mar
Da minha mãe
(Ceumar, in: Mãe)

Esta letra linda é de uma música (mais uma!) da Ceumar. Mas, como eu sofro de “inveja criativa” (by Léo Nogueira), “entrei numas” que a compus para minha mãe. Não estou falando da mãe que me criou, mas da que me pôs no mundo. A Graça morreu pouco depois de eu nascer (minha astróloga diz que seríamos parecidas demais para conseguirmos conviver – vida estranha!), então fui criada pela irmã dela – a Stela, a quem sempre vi como minha mãe, nunca como minha tia ou mesmo madrinha (mesmo tendo sido batizada por ela). Pois é, laços de família. A história daria mesmo uma bela novela do Manoel Carlos! Mas “esta é minha vida, este é meu clube”. Dos meus dois pais, pretendo falar numa publicação à parte.


Minha mãe Graça, novinha. Me acho muito parecida.

Duas histórias curiosas a esse respeito:

  1. Minha mãe gostava de cantar, e sempre cantava pra mim, quando me esperava. A música preferida, na ocasião, era Felicidade – a que hoje estampa meu braço, numa tatuagem -, de Lupicínio. Corta para quando eu já era bem crescidinha e ouvi uma gravação da Rita Lee para a canção – e a reconheci, só não sabia de onde. A letra não estava clara na minha memória, mas a melodia, sim. Fui, então, perguntar à minha mãe (Stela, claro), de onde a podia conhecer. Foi então que ela me contou sobre as músicas cantadas na gravidez da mãe Graça. Mistérios...
  2. Além de gostar muito de cantar, a Graça adorava uma festa com cantoria – e eu sou igualzinha. Então, “resolvi” que ela está mais perto de mim nessas ocasiões. Assim como todas as vezes que eu canto. Resolvi também que ela canta junto comigo, de alguma forma: seja através da minha voz, seja me “soprando” as melodias. Então, hoje à tarde, conversei sobre o assunto com meu amigo e produtor Tony Pelosi. Ele adorou a história toda, e fez uns versos (poema ou letra?), que me mandou por e-mail:


Voz da Graça
(Tony Pelosi)

Quando eu era
quase nada
Confortável no
escuro
ouvindo a voz
da minha mãe
Tive um sonho
a quatro cores
que deixou
a impressão
Que hoje tenho
do macio
quando ouço
uma canção

Quando eu era
quase grande
desprezei
todos os muros
Fiz de mim
o meu algoz,
minha prisão
Tive um sonho
preto e branco
que manchou
como carvão
Que hoje eu uso
em disfarce
pra esconder
a indecisão

Quando eu sou
sem ter tamanho
vejo a sombra
lá no muro
que parece
um coração
Tive um sonho
transparente
que fez luz
na direção
Que hoje eu sigo
mais seguro
minha voz
é uma canção.

*** Tony, se esta letra virar canção, já escolhi a que vou cantar naquele seu projeto de CD! :)

10 comentários:

  1. Tudo lindo, historia linda, vida linda...chorando de ler! Bjs! Re Busch

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    1. E eu nunca tinha respondido, não sei por quê!
      Beijos, Rê!

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  2. Lendo, revivi o impacto emotivo que essa história me proporcionou hoje à tarde. Creio que o que tinha a comentar já traduzi nos versos.
    Se daria ou não uma novela do Manuel Carlos, scaso acontecesse ia ser muito bom. O mundo carece dessas histórias repletas de afeto. Bjs Tony

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  3. Hehehehe! Obrigada, amores!
    Minha história pra mim é tão normal (lógico: é minha) que rio quando alguém me diz que acha a história linda.
    Mas entendo quem vê de fora.
    Enfim, adorei a letra mesmo, Tony!!!
    Beijos,
    Danny.

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  4. Muito amor né? :)

    Flavia Montes

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  5. Linda história de vida, Danny! A música e seus mistérios...

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    1. Pois é, Alan! A vida, a música e seus mistérios... :)
      Obrigada pela visita! Volte sempre... rs
      Beijos!

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  6. Quanta delicadeza pode caber num coração... Certamente a Graça recebeu as vibrações do teu Amor, que transcende Tempo, Espaço e mesmo o contato físico. Amor de Almas há muito ligadas... Grata por partilhar com teus leitores tanta poesia... de ti, do Tony, da Graça que te concebeu para todos nós... Beijos!!!
    Regina Makarem

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    1. Regineka, você é uma linda! Pessoa delicada, sensível... Demais!
      Um beijão enooorme!!!

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