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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

domingo, 22 de janeiro de 2012



Uma bela noite de insônia (se é que noites de insônia podem ser belas), ela teve uma bad trip. Assim, sem mais. Sem drogas, sem nada. Só seus pensamentos, que a incomodavam e a faziam sofrer. Pensou até que sofria de transtorno bipolar, tamanha a sua oscilação de humor. Mas quem não é, nesses dias loucos? Afinal, são tantas informações, tanta gente, tanto tempo passando, e nós ali, no meio desse redemoinho todo. Impossível o humor não oscilar.

Pensou no quanto gostava de escrever, e no quanto o mercado de trabalho lhe fez mal. Fez-lhe acreditar que ela era ruim, que não sabia escrever um texto bobo sequer. E sentiu muita, muita necessidade de pôr no papel tudo que sentia e pensava. E como tem material, pois pensar e sentir é com ela mesmo!

Refletiu sobre seu namoro recém-terminado. Listou mentalmente tudo que não gostava nele. Ou mesmo nela, quando estava com ele. Sentiu-se muito melhor. Pois o ex-namorado, agora amigo novamente, era ótimo. Só não se tocava de seus erros. Não se tocava que não queria, do fundo do coração, um relacionamento real. Queria alguém, sim, com quem compartilhar suas coisas. Mas só de vez em quando. Só quando tinha alguma brecha na sua agenda lotada. Só se esse alguém não lhe tirasse, nem um pouco, a paz que tinha só com ele mesmo. E com toda sua bagunça, interna e externa.

Lembrou-se da ilusão que sentia. Percebeu que não era ele quem a iludia, pois ele era, na medida do possível, sincero. E ele tem um grande coração, sabe se entregar. Mas tem medo, muito medo, de dividir sua bagunça.

Era ela quem se iludia, acreditava que ele poderia mudar por ela. Ou que poderia mudar seus próprios sonhos, que ela nem sabia mais que tinha. Essas cafonices de dividir a vida com alguém. Coisa mais fora de moda...

Mas ela sentia muita saudade, e ele... sentia também, mas a saudade ia embora rapidamente. A saudade dela parecia infinita. Como pode ser infinita sua paciência, no meio de toda impaciência que lhe é peculiar.

E então ela tentava se aproximar. Enroscava-se à noite em seus pés, suas pernas, seus braços. E ele entendia mal seus desejos. A paixão às vezes confunde. Machuca sem querer. E ele matava sua sede e se afastava. Tomava-a nos braços, mas mesmo assim, se afastava. Ele queria protegê-la, mas só protegia a si mesmo.

Protegeu-se tanto da paixão que preferiu acabar com ela. Mas o respeito e o amor, esses ficarão. Mesmo que em uma bela amizade.

E ela cresceu, se encontrou, tornou-se quem desejava ser. Por causa dele. Sim, ele lhe fez feliz por um tempo. Ele é um grande cara. E a fez enxergar que é, ela mesma, uma grande mulher.

5 comentários:

  1. Sadia em Los Angeles22 de janeiro de 2012 18:11

    Que legal!

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  2. Tive um blog quenemque o seu, quase 10 anos atrás. Cheio de sensibilidade e coisas boas, muitos textos pessoais, links, enfim... Ficou famoso, saía em jornal, revista, num tempo em que a internet ainda era uma vila, não uma via láctea tão imensa.

    Veio um bando de cataplófticos invejosos, destruiram muito mais que posts: muitos sonhos meus. Foi quando fiquei meses e meses totalmente fora da rede, e voltei sob pseudônimos mutantes que hoje se resumem num, mezzo fantasmagórico, mezzo detetivesco. Mas ainda sou o mesmo, ainda que mais "apanhado". :)

    Desejo a você que este seu lindo trabalho persevere e continue sendo sempre fonte de tantas coisas lindas para todos nós. Te dou muito apoio e me alegro com o que leio aqui. Me remete aos meus bons tempos de blogueiro-aberto-e-franco. :)

    Um abração!

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  3. Thanks, Sadia!!! :)

    Tommy, sei como são essas invasões. Acho que já tive mais medo de reações assim. E acredito que esteja mais forte hoje, até para filtrar as coisas boas. Gostou, ótimo. Não gostou, e não me diz o motivo, Danny-se! rs

    Beijos!

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  4. Querida,
    Fico feliz que esteja aqui, organizando suas idéias, mostrando o que pensa!
    Beijos e boa sorte!!!

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  5. Obrigada, Tati!
    Esta é a minha autoanálise. :)
    Um beijão!

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