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Petrópolis, RJ, Brazil
Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Prazer, esta sou eu

Para começar este blog, permitam-me contar um pouco sobre mim. Sou carioca, nascida na zona norte do Rio, atual moradora da zona sul. Mas transito em todos os lugares da cidade sem problemas. Quer dizer, sem problemas desde que se consiga chegar de condução, pois eu não dirijo por opção (e não vejo problemas nisso). Mas esta é outra história, que contarei em outro post.

Em primeiro lugar, por que, nesses tempos de microblogs e redes sociais, criar um blog? Bem, e por que não? Antigamente, até bem pouco tempo atrás, eu diria que não gosto de escrever. Mentira deslavada! Logo eu, não gostar de escrever? Sempre gostei, e foi por isso que cursei Comunicação Social, afinal de contas!

Mas já rodei tanto nesse mundo de meu Deus, procurando a mim mesma... Já escrevi até textos jornalísticos, sem ser jornalista. Minha formação é de publicitária. A empreitada não deu certo, claro, e minha autoestima ficou abalada a ponto de parar no chão. Talvez até um pouco abaixo dele. Se eu não sei escrever, depois de tanto me sair bem nas famigeradas provas de Redação do colégio (em que ficava pensando minutos que pareciam intermináveis, mas depois saía escrevendo feito louca), o que eu sei então? Cantar talvez (sim, sou cantora, como tantas mil outras que surgem a cada esquina deste país), mas nisto definitivamente não sou segura. Adoro o palco, mas segurança mesmo – embora algumas pessoas me digam que pareço confiante no palco, e tenho até vontade de rir – esta me falta. Acho que sei disfarçar, e mesmo assim, nem sempre.

Hoje sou revisora, e – nem posso esconder - com orgulho. Finalmente consegui um emprego que me dá perspectivas e me devolve a confiança que perdi. E o melhor: consegui por meu próprio mérito, sem ajudas ou apadrinhamentos. Coisa que eu já imaginava, a esta altura, impossível.

Minha trajetória profissional – já escrevi sobre isto no Facebook, e quem me acompanha sabe –  é a mais louca possível. Minha primeira faculdade foi Arquitetura. Eu, que mal sei me localizar no espaço, e que não tenho habilidade para desenhar, um dia pensei em ser arquiteta. Assim como pensei em ser veterinária (já que amo bichos) sem gostar de ver sangue ou assistir a uma cirurgia. Mas eu era novinha. Perdoável, né?

Saí no segundo período da faculdade e fiquei sem chão. O que fazer? Publicidade (que na época “bombava” no Brasil, e tinha qualidade, ao contrário de hoje) foi a primeira (e única) coisa em que pensei. Fiz apenas um estágio na área (e descobri, não sem sustos, o quanto pode ser cruel o mercado, não só publicitário, mas em geral). Descobri também que uma agência é tão “corporativa” (argh!) quanto qualquer empresa.

Mais tarde, entendi que precisava de uma motivação maior que lucrar (ou fazer alguém lucrar) para trabalhar. Sem desmerecer quem tem ambição e quer fazer fortuna (cada um sabe a dor e delícia de ser o que é, não, Caetano?), eu preciso de algo maior – uma ideologia, uma causa. Necessito saber que meu trabalho vai mudar, de alguma forma, a vida de alguém. Por isso, aliás, meu amor pelas artes.

Gostava de marketing (e até hoje gosto), mas cadê a tal causa nobre? Acabei fazendo trabalhos como redatora, ora publicitária, ora jornalística ou coisa que o valha, quase sempre em empresas de TI. E descobri a internet! Descobri que gosto deste “bichinho” que, como qualquer coisa na vida, precisa ser bem usado, mas quando bem usado, é muito interessante e útil. Por isso, até comecei uma segunda faculdade: Design Gráfico. Mais uma vez, dei com os burros n’água (expressão que me faz sentir meio velha, mas vá lá). Desisti novamente.

Conheci, numa dessas minhas incursões pelas empresas da vida, a área de Comunicação Interna, que tem uma causa nobre: fazer com que os funcionários se sintam mais motivados e satisfeitos com seu trabalho. Mas eu preciso dizer: como tem hipocrisia nisso aí! Continuando a história: resolvi fazer uma pós-graduação em Comunicação Empresarial. E nunca peguei o diploma. Tudo porque tinha uma monografia no meio do caminho. Como é chato (e pesaroso) escrever o que não tem a ver com a gente! Linguagem acadêmica... Ai. Ainda bem que nunca precisei mesmo do diploma.

Pra tentar encurtar a história, fiquei sem emprego, sem dinheiro e desanimada, sem a tal perspectiva. Pensei, então, em investir na minha carreira de cantora. Vocês devem estar pensando: coitada, enlouqueceu. E eu lhes digo que é realmente loucura. Ainda mais não sendo tão novinha assim e ainda morando com os pais.

Ao mesmo tempo, “virei” produtora executiva – aquele ser que se desdobra em mil pra que um evento cultural aconteça. Mas a produção cultural no nosso país (e mais especificamente no Rio) é extremamente ingrata. Trabalha-se muito e ganha-se pouco, tanto em termos de grana quanto em reconhecimento). É só cobrança... Fora que os horários são loucos. Estudar alguma coisa quando, se as noites são dedicadas aos shows?

Na mesma época, comecei a investir em revisão. Como não pensei nisso antes, já que sempre revisei tudo o que lia? Tudo mesmo, desde livros até bulas de remédio, passando por rótulos de produtos, anúncios etc. Comecei a revisar livros de amigos e a procurar “freelas” em editoras. Até que fui chamada para fazer um teste, passei, fiz entrevista e fui selecionada. E foi assim que cheguei até aqui.

Como sempre, acabei sendo prolixa. Quem tiver paciência que me siga! Até o próximo post. J

28 comentários:

  1. Oi Danny,

    é tão bom ler coisas verdadeiras.. ainda mais quando se trata da "sua vida" que pode ajudar tantas pessoas presas nesse mundo de marketing ilusão.. obrigada por se abrir para o mundo!!!
    Parabéns e sucesso, vc escreve muito bem e é muito bom ler o que você escreve. bjs
    Laurismar.

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  2. Oi, Lau!!!
    Garota, como é bom ler isso!!! Fico feliz e - confesso - até aliviada, sabia? Depois de tanto andar me procurando por aí, acho que estou me encontrando, e isso é bom demais!
    Não tenho mais medo de me mostrar, como disse no Facebook. Quero mais é que me vejam como sou. Senão, vão gostar de quem? De mim ou de um personagem? :)
    Um beijão!

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  3. Revisar o mundo é tarefa de fôlego, que a vida te dê ar pra isso. Fica a sugestão de, na medida do seu tempo, você detalhar mais o que te desagradou em tantos caminhos profissionais diferentes, pode ser que sua experiência sirva de atalho pra quem ainda está na busca em que você esteve.

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    1. Será, Alê? Revisar o mundo é metáfora, lógico... rs
      Mas que eu tenho essa vontade às vezes, tenho mesmo! :)
      Vou pensar na sua sugestão com carinho...
      Obrigada pela visita e comentário!
      Beijão!

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  4. Boa sorte na empreitada... vc vai precisar, pois este mundinho tá precisando de um boa revisão. E como escreveu um certo aluno numa prova de português: “O sero mano tem uma missão…”.

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    1. Obrigada, Vlado!!!
      Não é? Estou à procura de parceiros pra esta empreitada. Vamos?
      Beijão e obrigada pela visita e comentário!

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  5. Esse ainda é o meu tipo de blog preferido. Que bom que resolveu fazer este.

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  6. Êêê!!! Tô devendo visitas ao seu, né? Críticas (nem preciso dizer construtivas) são bem-vindas!
    Beijão!

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  7. Danizinhaaaa

    Amei o post. Estou te conhecendo agora, nessa nova empreitada, e mesmo com pouco tempo, achei esse texto a sua cara. :)
    Lindas palavras minha revisora :)

    Espero que possamos estar sempre juntas nessa jornada, e pode contar sempre comigo.

    bjão

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  8. Oi, Lu!!!!
    Ah, que coisa boa ler isso, minha DI!!! A gente já tá junta, mesmo que nem queira, né não? Hahahahaha! Mas eu estou gostando disso! :)))
    Tamo junto, como diz o povo!
    Conte comigo pro que precisar também.
    Beijão!

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  9. Bem-vinda ao clube, queridona! Aliás, dizem as más línguas que agora é "benvinda" (ui!).

    Fico feliz por ver uma camarada e ser pensante tomar impulso pra dar esse salto de revisar o mundo. Nós, os revisores do mundo, estávamos carecendo de soldados na linha de frente. Hahaha!!!

    Só tenho uma invejinha: eu, do alto (alto?) dos meus 40, ainda não agarrei pelo rabo uma profissão. Mas eu chego lá. Pena que não moro no Rio, se não ia pedir seu apadrinhamento. Hahaha!!!

    Beijão e sucesso,
    Léo.

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  10. Obrigada, Léo parceiro!
    Menino, mas você tem talento de sobra! Excelente escritor (certamente revisor também, pois seus textos são impecáveis) e letrista. A invejinha que eu tenho de você é da sua veia de poeta e letrista. Mas vou tentando. Ainda chego lá. :)))
    Vá mostrando seus trabalhos aqui e ali, fazendo blogs, escrevendo mais nas redes sociais, que daqui a pouco você encontra um emprego bem bacana. Tenho certeza!
    Obrigada pela visita e carinho, viu?
    Críticas construtivas também são bem-vindas.
    Um beijão!

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  11. Dannynha, sobrinha adotadora, li teu primeiro post e mais alguns. Achei tudo muito gostosinho, sincero, autêntico e bem escrito, claro! Aparecerei pra te reler! Beijos muitos!

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  12. Oi, tio Beto!
    Obrigada pela visita e comentários carinhosos!
    Outros beijos!!!

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  13. Danny, li tudo e curti especialmente este post inaugural. Desconhecia algumas passagens da tua biografia.
    Já fiz muita revisão, principalmente nas minhas revistas. É um exercício de atenção intenso, que tanto pode descambar para a obsessão neurótica (rsss) como para a serenidade zen. Já conheci revisores dos dois tipos. Eu mesmo já me vi assim, nas duas situações.
    Fiquei com vícios incontroláveis: estou sempre com o lado revisor em modo ON, o que pode ser bem incomodativo. Se estou vendo um filme, acabo implicando com erros grosseiros nas legendas, o que me distrai do enredo. Estou sempre lutando contra isso, sem sucesso.
    Por outro lado, evito rever meus próprios textos na internet, esses posts de facebook ou mensagens de lista de discussão.
    Se deixar, passo "horas" escolhendo palavras, suprimindo vírgulas, limando repetições. Depois de postado, é batata! Sempre acharei que merecia passar a flanelinha uma ultima vez. rs Então escolhi ser assumidamente desleixado. Escrevo e mando sem reler, apesar da tentação.
    Por isso louvo o trabalho do revisor, esse injustiçado. Quanto melhor ele trabalhar, mais o seu trabalho passa despercebido. Quando o texto de um livro é perfeito, poucos lembram do revisor. Mas ai dele se passar um errinho... hehe
    beijo grande

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  14. Hahahaha! É isso mesmo, Alan. Acho que estou mais pra obsessiva-neurótica. rs
    Estou sempre vendo os erros alheios. Em compensação, me dói quando deixo passar um erro.
    Mas não sei ser de outro jeito. Fazer o quê?
    Esta é minha vida, este é meu clube. :)))
    Beijão!

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  15. Danny tem um talento especial para revisão. Ela, por ter uma cultura geral muito ampla, consegue "entrar " no texto, revisar sem interferir ou desvirtuar (e muitas vezes melhorar) o contexto. Como comentei no meu recém-lançado livro (Pelosias), ela comsegue "revisar lapidando".
    Escrevi e revisei uma 200 vezes esse pequeno comentário, para que ela não precise revisar... Será que consegui?
    Um beijo, Danny

    Tony Pelosi

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  16. Oi, Tony!
    Muito obrigada por suas palavras! :)
    Só saiu um "comsegue", mas ficou quase perfeito. Parabéns! rsrsrs
    Beijão,
    Danny.

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  17. Danny, eu já fui mais chato com erros meus e alheios. Muitas vezes o erro é causado pela pressa ou por atrapalhações informáticas. A tecnologia veio para ajudar, mas também veio para atrapalhar. O corretor automático do Word, p.ex, ajuda a limar erros, apesar de que não se deve confiar a 100%. Por outro lado, essa coisa de vida online trouxe novos problemas. Quando o computador está lento por algum motivo, a gente "briga" com o texto, tentando emendar e a emenda não aparece. Às vezes aparece, mas depois de postado a gente vê que passou... Outra: "cortar & colar" deveria ser infalível mas tem sido a fonte de muitos textos truncados. Por mais que se leia e releia, a máquina está sempre dando rasteira. O macete, quando lembro, é escrever num documento de texto e, só depois de pronto e revisto, colar na internet. As chances de desastre diminuem, mas mesmo assim...
    bjs sem revisão. rs

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  18. Ah, sim, vivo revisando o que o Word acha que sabe! Hehehehe... Tadinho, ele não estudou Gramática. A gente tem que relevar. :)
    Claro que há momentos em que não me sinto tão na obrigação de revisar. E aí, os erros passam mesmo.
    Busco o equilíbrio.Como sempre o caminho do meio é o melhor. ;)
    Beijão!

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  19. Danny, será um prazer acompanhar suas reflexões nesse seu cantinho. Estou incluindo o blog na lista de favoritos do meu: ericosanjuan.blogspot.com. Aguardo sua visita por lá também. E falta corrigir uma falha imperdoável: ouvir seu CD. Bjs.

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  20. Oi, Érico! Seja muito bem-vindo!
    Obrigada pelo carinho de sempre. Vou visitar seu blog, claro.
    Quanto ao meu CD, você pode ouvir um trecho aqui: http://clubecaiubi.ning.com/profile/dannyreis.
    Beijão!

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  21. adorei seu blog, to adorando sua escrita...

    bjos

    veleiro

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  22. Uau! Veleiro, você sabe que sou fã dos seus escritos, né? Vivo falando pra você escrever um livro, que serei a primeira a comprá-lo etc. E é verdade!
    Saiba que receber um elogio seu é ouro!
    Um beijão,
    Danny.

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  23. Dannyzinha, te conheci mais um pouco por meio do teu texto tão aberto e sincero, e reconheci situações pelas quais pessoas queridas já passaram: sustos e decepções no ramo da propaganda, ao ver que nem tudo é assim tão glamouroso... minha filha trabalhou com mídia e atualmente preferiu ficar no anonimato, trabalhando em administração de pessoal. Por enquanto. E, voltando à revisão, sempre foi a minha paixão secreta e até desconhecida (ou não percebida). Fazendo sempre duas leituras em tudo, instintivamente a verificar a forma do texto e só depois apreendendo-lhe o sentido. Corrigindo loucamente, do jeito que Alan, o nosso gajo, escreveu. E agora, Aposentada, gostaria de trabalhar finalmente com Revisão. Mas... sei lá, entende?... Está tão bom ler sem compromisso, no meu dolce far niente... Quem sabe aonde me levará a minha cabeça maluca? Aos bons blogs, como este, por enquanto. E virei muitas vezes, pode esperar. Continue assim que tá bom demais! Beijos!

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  24. Regineka, escreva, que seu dom é lindo!!!
    Um beijão!

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  25. Amiga, que bom que você se encontrou profissionalmente. Adoro revisar! Como a gente aprende com esse trabalho, né? Uma das coisas que aprendi é que todos nós temos "telhados de vidro"! hehehehe
    Beijos

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  26. Oi, Adri!
    Você por aqui, que bom!!!
    Sim, a gente aprende muito, especialmente dentro de uma universidade. É uma diversidade de temas que beira a loucura. :)
    É vero, todos temos! Afinal, todo mundo erra. Mas eu gosto desse desafio.
    Beijão,
    Danny.

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