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Danny Reis, cantora, revisora e tradutora. Apaixonada por artes, idiomas e comportamento.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Bye-bye, passado!


Mais um ano vai terminando e a gente começa a pensar em tudo que fez (ou deixou de fazer). Mas como eu sou uma pessoa ansiosa, e acho que o passado já era, e não interessa mais, faço outra pergunta:

O que você vai fazer nesse ano que vem chegando? Temos à nossa frente mais 365 dias pra construir algo de bom. E então, o que você está plantando hoje, pra colher amanhã? O que você pretende plantar, pra colher ainda mais à frente?

O ano foi ruim, você fez um monte de besteiras, não trabalhou o suficiente? Se sentiu injustiçado? Já era! Em vez de ficar pensando no que já foi, ou no que não foi, pense no que vai fazer! E, de preferência, arregace as mangas e comece!

Se você tem muito a fazer, e nem imagina por onde começar, então não pense: simplesmente dê o primeiro passo.

Feliz ano novo!


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Verso encabulado


Meu parceiro, Léo Nogueira, resolveu finalmente fazer poesia no seu excelente blog "O X do Poema":

http://oxdopoema.blogspot.com.br/2012/12/cronicas-desclassificadas-61-rebentacao.html?showComment=1354807543206#c1002993521756716376

Acabei lendo a resposta do Sergio Veleiro e me empolguei:

Cometo versos
Como quem comete
Um pequeno pecado
Eles, tal crianças levadas
Saem quando menos espero
Mostro-os
Encabulada
Não lhes faço festa
Sei que, pra poeta
Falta-me muito feijão e arroz
Porém, no final, afirmo feliz
Sou apenas uma aprendiz

Danny Reis - 6/12/2012.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O racismo em discussão


Quando o vídeo da entrevista com o ator Morgan Freeman começou a ser compartilhado nas redes sociais, muita gente aplaudiu. E eu confesso, fui uma dessas pessoas. Hoje, vejo que há muitas críticas a respeito. Dizem que ele incentiva a não falarmos sobre o tema racismo, para fingir que ele simplesmente não existe. Só que eu não vejo assim.

*** Para quem não assistiu ao vídeo, está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=BOvQnvwbJXw. ***

O que eu entendi da declaração dele é que aquele foi um momento de desabafo de alguém que anda cansado de hipocrisia. Se existe racismo, então vamos criar uma data e calar a boca dessa gente. Assim todo mundo fica feliz: os negros, que ganham um dia pra chamar de seu; e os racistas, que fingem não o ser.

O Morgan Freeman, a meu ver, não propõe o silêncio que consente com o racismo. Muito pelo contrário: ele não quer perpetuar a discriminação com uma data hipócrita. Nem quer ser mais “a black man”. Ele é uma pessoa, ora! Não quer ser visto pela sua cor. Afinal, não é ela que define ninguém.

É o mesmo que dizem sobre o dia internacional da mulher, não é mesmo? Que está virando cada vez mais comercial. Já repararam?

Enquanto se criam comemorações e festinhas, esvaziam-se as consciências. Esquecem-se os verdadeiros motivos das festas. Estes é que não devem ser esquecidos: os motivos.

Esta é somente a minha opinião. Nunca fui racista, e olhem que ouço muitas bobagens à minha volta. Muitas piadas ditas inocentes, que só fazem perpetuar o problema. Não repito tais asneiras.

Gostaria de finalizar dizendo que você pode (tem todo o direito de) discordar de mim. Só não pode jogar em cima de mim a discriminação que já sofreu. Aceitarei as críticas construtivas. As agressões, educadamente dispensarei. OK?

sábado, 10 de novembro de 2012

Alma de poeta


Primeiro de tudo, é preciso definir alma de poeta. Pra isso, nada melhor que recorrer a alguns deles:

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
(Fernando Pessoa)

Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
(Cecília Meireles)

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(Carlos Drummond de Andrade)

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
(Idem)

Muita gente tem alma de poeta, mesmo sem ter escrito uma única poesia. Muito provavelmente, esses são poetas frustrados. Podem ler milhares delas, amá-las, devorá-las, mas nunca serão poetas.

Não acredito em quem escreve versos, mas não vive a poesia.

O poeta de verdade, além de escrever poesia, respira poesia, come poesia, dorme e acorda poesia. A poesia é ar, alimento e cama.

Para ser poeta é preciso, mais do que escrever, viver a poesia. Todos os dias.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Politizada, eu?!




As gerações pós-ditadura militar, incluindo a minha, se gabam de não gostar de política. Dizem-se “apolíticas”, estufando o peito de orgulho. Mas eu acho uma pena.

É uma pena que tenham nos ensinado tão pouco sobre ela. É uma pena que confundamos política com “política partidária”. Pena que não queiramos nem saber do assunto.

Fizeram-nos acreditar que a política é um jogo sujo, e por isso, é melhor nem nos metermos. Mas infelizmente, o que conseguimos até hoje foi apenas nos alienar. Assim, “eles” lá fazem o que bem querem, sem medo, afinal fechamos nossos olhos.

Acontece que fazemos política no nosso dia a dia. Quando reclamamos do preço do combustível, quando reivindicamos nossos direitos como consumidores e até quando estamos navegando na internet, despreocupadamente. Sim, porque em alguns países a internet é proibida ou censurada.

Nós nos acostumamos, no entanto, a fechar os olhos e a nos calar. Talvez a pura reclamação não nos leve a lugar algum. Mas calando-nos, certamente iremos para o fundo do poço.

domingo, 7 de outubro de 2012

Ultimamente


Ultimamente
Dei pra fingir
Nem estar aí
Até pra mim
Que não ligo
Pro seu silêncio
Tanta indiferença

Ultimamente
Dei pra esconder
Que meu coração
Nem palpita
Ao ver seu nome

Ultimamente
Dei pra não ouvir
O que diz

Esse coração
Triste coração
Coração navegador


(Danny Reis, 7/10/2012)



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bom dia, mundo!


Acordei de alto-astral, assim do nada. Adoro quando me acontecem essas coisas, do nada. Um sentimento de gratidão por nada, ou por tudo. Porque ainda não cheguei aonde quero, nem sei se vou chegar, mas posso lutar por isso. Tenho saúde, tenho mãos, pés, braços. Tenho força. E fé.

Vontade de ouvir Beatles. E trabalhar quietinha, como gosto. No meu canto, com minhas músicas. Umas paradas pra ver belezas. E compartilhá-las. Porque nem só feiúra eu vejo no mundo. Também vejo beleza. E muita. Graças!

Vontade de continuar, só por isso, fazendo música. Mesmo que não ganhe dinheiro com isso. Dinheiro, afinal, nunca foi minha meta. Claro que seria muito bem-vindo, mas minha meta é bem outra. Quero, pura e simplesmente, fazer o mundo um pouco mais bonito.

Que eu nunca perca essa minha vontade. Nem a perca de vista. Porque é tão fácil a gente se perder no caminho...

domingo, 23 de setembro de 2012

Machucadinho


Outro dia, sem perceber, machuquei o dedo da mão direita, bem na dobrinha. Só vi depois, quando sangrava. Bastou eu ver e a ferida começou a arder. “O que os olhos não veem”...

Isso já tem mais de uma semana, e a ferida ainda está lá. Cicatrizada, mas tem um “olhinho” no meu dedo, me olhando e lembrando que eu não posso sair esbarrando o dedo por aí. Porque senão, o machucado volta. E aí começa tudo de novo...

Com a nossa alma, às vezes, acontece a mesma coisa. Quando a gente vê, tem um machucado aparentemente bobo. Mas ele dói, sangra e qualquer esbarrãozinho, volta a sangrar.

Aí a gente põe Mertiolate...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Apaixonante

Porque o óbvio nem sempre é tão óbvio assim, decidi me apaixonar por mim em primeiro lugar. Às vezes a ansiedade para que as coisas aconteçam logo pode ser pura insegurança.

Então, decidi: quero me apaixonar, mas primeiro por mim. Se outra paixão por acaso não der certo, ou não der em nada, tudo bem. Não é a primeira vez que me acontece. Certamente não será a última.

Mas mendigar o amor de alguém, isso não farei. Não por orgulho, mas porque me amo mais.

Quando falo de me apaixonar por mim mesma, não me refiro a simplesmente me amar. Isso eu acredito que já faço. A gente ama, mas esquece que ama. Falo de paixão de verdade. Sabe aquela paixão em que você não enxerga defeitos? Nos meus defeitos, eu já costumo pôr fortes lentes de aumento. Quero mais é não os enxergar. Esquecer que eles existem. Pelo menos por um tempo. Só por exercício. Ter mais paciência comigo. Apaixonada, tenho toda a paciência que me falta, desde que me entendo por gente.

Quero me olhar no espelho e não ver gordurinhas sobrando aqui e ali. Quero enxergar minhas pernas, que são bonitas, ué! Meu sorriso. Por que não ver isso? Modéstia é o cacete. Chega de ser tão humilde a ponto de enxergar beleza em todo mundo, menos em mim. Chega de não aceitar os elogios, só as ofensas.

Tem que ser ao contrário, a partir de agora. Me ofendeu? Ah, é? Fique com a ofensa pra você, obrigada. Só aceito bons presentes. Me elogiou? Oba! – alguém viu as qualidades que eu já sabia possuir. Não me surpreendo. Aceito de bom grado.

Porque mamãe não me encontrou no lixo.

Olha, já estou me apaixonando...

domingo, 26 de agosto de 2012

Cadê a espontaneidade?


Ontem, após assistir à reprise de um programa Chico & Caetano, no canal Viva, escrevi no Facebook:

"Um barato assistir Chico & Caetano no Viva! O programa tinha uma espontaneidade incrível, além das músicas, óbvio.

Ainda agora, apareceu o Chico errando a letra de "O quereres" (alguém consegue cantar inteira aí?) logo no início. Aí ele levanta os braços, para os músicos pararem, e diz: "Já errei. Ainda insisto nessa profissão! Mas estou dando tudo de mim, viu, Caetano?", no que este responde: "Mas não exagera".

O público morre de rir e recomeça.

Onde foi parar essa espontaneidade hoje em dia? Até o que parece espontâneo hoje foi ensaiadíssimo...

Ainda bem que existem as reprises!

Ah, um detalhe: que batom é esse, Caetano???!!"

Aí, um amigo comentou que minha pergunta tinha duas respostas: que falta a genialidade da época; e que a Globo engessa tudo o que se propõe a transmitir.

Fiquei pensando: será que tudo se resume à Globo ou ao padrão dela? Ou isso é resultado de um emburrecimento geral? E mais: será que falta mesmo a genialidade da época (que nem está tão distante assim)? Ou simplesmente ela está mais escondida por não ser valorizada? Acredito mais nessa segunda hipótese.

Outro dia mesmo, outro amigo deixou essa questão no ar: será que se o Edu Lobo, ou o Milton Nascimento, ou mesmo o próprio Chico Buarque aparecesse hoje, ele teria o mesmo sucesso? Ou eles (e outros) não seriam a mesma oportunidade? Será que eles estariam amargando um fracasso de público, que precisariam procurar um emprego para sustentar sua arte?

Não sei essas respostas. Fiquei apenas pensando, e resolvi trazer para cá essas reflexões. O que vocês acham? Comentem!

sábado, 25 de agosto de 2012

Depois...


E agora
O que fazer
Com essa ansiedade
Como acalmar
Esse coração
Que fantasia
Que ilude
E me deixa feliz
Com tão pouco?

sábado, 18 de agosto de 2012

Pai Zé


Ele era bem quietinho, não falava muito... Tinha a tolerância bem perto do zero, como aquele personagem, o Saraiva (nisso eu puxei a ele), vivia assobiando e trazia sempre um livro embaixo do braço.

Ele nunca me criou, mas me ensinou muitas coisas. A amar a Bahia, por exemplo. E Jorge Amado. A assobiar. A gostar de ler. A dizer umas coisas engraçadas do nada, depois de ouvir as pessoas falando, falando... A rir com vontade.

Quem me criou foi o Pai Zinho (como eu chamava quando era pequena). Mas ainda bem que eu tive o Pai Zé.

Muitas saudades!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Cultura da diversão


Outro dia, conversando com um colega de trabalho, percebi que temos uma visão bastante parecida sobre o teatro. Para nós, teatro de verdade tem que ser visceral. Você tem que sair diferente da forma como entrou. Teatro, portanto, é transformação.

Fiquei pensando... Essa condição, a meu ver, diz respeito à arte em geral. Afinal, arte que não faz pensar, que não tem ao menos a intenção de transformar, não é arte. É qualquer outra coisa.

Acontece que, atualmente, pensar assim é praticamente ir na contramão do senso comum. É que impera, nesses tempos, a “cultura da diversão”, onde tudo que não é divertido não serve.
Com a música é assim, com o cinema também, e até mesmo com o teatro. Já ouvi de muitas pessoas diferentes depoimentos como:

“No teatro, só gosto de assistir comédias”.

“Cinema pra mim é diversão. Quando quero pensar, vou ler um livro”.

“Sábado à noite, as pessoas querem sair pra se divertir, beber, brincar. Ninguém quer sentar num teatro pra ouvir Chico Buarque ou Nana Caymmi. É dia de descontração, de dançar e paquerar”.

“No dia a dia, no trabalho, eu já penso demais. Nos momentos de lazer, não quero usar o cérebro”.

Não estou aqui desmerecendo o humor, nem a diversão, de forma alguma. Nem estou dizendo que a arte precisa ser “séria”, sisuda. Também não é isso. 

Todo mundo gosta de se divertir. Acontece que a arte pode ser divertida, mas nem toda diversão é arte. Se você vai a um parque de diversões, por exemplo, dificilmente vai ver arte.

Nada contra quem faz música ou teatro para (se) divertir. Mas repito: arte é transformação.

domingo, 22 de julho de 2012

Isso é ruim?


Palavras me intrigam... Assim diz uma letra minha, Palavras, que ganhou uma bela melodia do Felipe Radicetti.


Certas coisas me intrigam mesmo. Um exemplo são críticas que andam repetindo por aí.
Uma delas é mais específica do mundo da música: “todo mundo hoje em dia canta samba” ou “samba virou modinha”. Isso é ruim? A meu ver, não. Enquanto houver gente cantando e fazendo samba, esse gênero tão brasileiro – ainda que com forte influência africana – vive. Vida longa ao samba!


Outra crítica que me intriga é: “atualmente, qualquer um tem opinião”. Mais uma vez, ao contrário da maioria, acho ótimo. Até porque há bem poucos anos, o Brasil vivia sob um regime ditatorial. Expressar a opinião era um luxo. E hoje podemos nos expressar livremente - ainda que sejam teorias infundadas ou até conspiratórias.


Uma das responsáveis por esse fenômeno é a internet.


Então, na minha opinião – e isso eu tenho de sobra sim, senhor – é esta: mais do que ter opinião, qualquer pessoa pode expressá-la. E eu acho é ótimo. Viva a liberdade!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Verdade ou mentira?


Às vezes acho que a sinceridade é superestimada. Lógico que não estou aqui fazendo uma apologia da mentira. Também tenho ódio mortal quando sei que fui enganada. Mas desde quando dizer a verdade nua e crua, sem se importar com o sentimento do outro, se tornou bacana e não me avisaram?

Você se arruma toda, passa a tarde no cabelereiro, faz uma maquiagem mais elaborada, escolhe sua melhor roupa (ou gasta seu suado dinheirinho pra comprar uma nova). Se alguém chega perto de você e diz: “Nossa, como você está feia”, você não se ofende? Então, que tal usar um pouco mais de delicadeza?

Seu amigo, que há tempos não comemora o aniversário, resolve dar uma festa. Ele tem uma trabalheira imensa pra produzir aquele evento – seja um churrasco, um bolinho ou uma tremenda festa. Além, é claro, de investir uma grana pra fazer bonito. Ele te convida. Você simplesmente diz “não vou”? Se você tiver outro compromisso, você vai explicar isso a ele, concorda? Mas não vai dizer “na lata”, pura e simplesmente: “não vou”. Isso seria, no mínimo, frio.

Não é – repito – mentir. Se não tem nada de bom pra dizer, procure melhor. Tem sempre algo de bom pra ressaltar, por pior que lhe pareça. Ou então, se não tiver nada mesmo, cale-se. Mude de assunto. Mas ofender alguém, pra quê? A verdade é ótima, mas como comentou um amigo recentemente, melhor ainda é ser educado.

domingo, 20 de maio de 2012

A artista que eu quero ser


Um dos questionamentos que me fiz, durante esta semana cheia de dúvidas e incertezas, foi: que artista eu quero ser? Onde eu quero chegar? E o mais importante: alguém, além de mim mesma, pode me “moldar”?


Uma das certezas que tenho – e eu não as tenho aos montes; tenho sim, dúvidas e mais dúvidas – é: só eu mesma conheço minha “verdade artística”, mais ninguém. Outra pessoa, de fora, pode chegar perto disso, mas não exatamente me conhecer por completo – nem pessoalmente, nem artisticamente.


Mal comparando, me lembro de ter assistido a um programa de TV americano onde uma das pessoas entrevistadas tinha feito tantas cirurgias plásticas que já não reconhecia mais seu próprio rosto. Aí está meu medo (ou melhor, minha maior resistência): trabalhar tanto a minha voz a ponto de não me reconhecer mais nela.


Parece “viagem”, mas eu percebo muitos casos assim. Muitos artistas, cantores e músicos principalmente, que, por ordem ou orientação de uma gravadora, mudaram tão radicalmente – seja de estilo ou gênero musical, seja seu próprio jeito de tocar ou cantar – que viraram “outra coisa”.


Será que esses artistas, em nome do sucesso, estão satisfeitos consigo? Ou será que deitam no travesseiro, à noite, e se perguntam onde foram parar?


Até me lembrei de uma música dos Titãs: Não vou me adaptar”:


“Eu não tenho mais a cara que eu tinha, 
No espelho essa cara não é minha. 
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho, 
A minha barba estava desse tamanho”


Ou seja, minha grande resistência é virar uma coisa que eu não sou. Agradar todo mundo e desagradar a mim mesma. Até porque, se isso vier a acontecer, como é que se volta?


Perguntas, perguntas... Como eu já disse, minhas certezas são bem poucas. Mas sei que não sou massa de modelar. Não serei moldada. Quero ser a melhor Danny Reis que puder ser. Parece simples, mas não é tanto assim...

domingo, 29 de abril de 2012

Sai de ontem!

É um comercial bem bobinho de TV, mas que me fez refletir. Quantas pessoas conhecemos que parecem nunca ter saído de ontem? Aquelas que repetem “no meu tempo”, como se não estivessem mais vivas; que dizem que o mundo era muito melhor quando eram jovens; que têm saudade de tudo o que viveram e se esquecem de curtir o que têm hoje...

Eu não entendo o saudosismo. Tal como Paulinho da Viola (meu príncipe!), meu tempo é hoje. Eu vivo hoje. E sempre me acho muito melhor que ontem. A vida também é muito mais fácil: não me imagino sem internet e celular, pra citar apenas os itens mais óbvios.


Não quero reviver o que já vivi. Fazer tudo de novo, pra quê? Eu vivi lá atrás porque precisei. Pra chegar onde estou hoje. E certamente este lugar pra muitos pode não parecer assim tão longe, mas pra mim é tanto caminho andado... Tanta lição aprendida. Seria um desperdício voltar.

Se eu nunca sinto saudade? Sinto, claro. Mas ela fica ali atrás, no lugarzinho dela. Nada de vontade de voltar no tempo. Só se fosse pra “brincar de ontem” (título de uma música linda do Eugenio Dale  que – vai entender – me faz chorar sempre). 


Afinal, quem não é contraditório nessa vida?




*** Pra conhecer a canção Brincar de ontem, assista ao vídeo (com o Eugenio, além de Marianna Leporace e Suely Mesquita): 






terça-feira, 17 de abril de 2012

Timidez x língua solta


Já fui um bicho-do-mato de tão tímida. Era uma dessas pessoas que têm vergonha de perguntar o preço de um produto pro vendedor. Era um sofrimento. Ainda bem que fui vencendo e essa vergonha foi dando espaço para a mais pura “timidez cara-de-pau”.

Sim, pois muita gente não acredita, mas sou muito tímida ainda. E nem acho que vou mudar mais, agora que estou encostando nos 3.8 (Afe Maria, quase quarentinha! Que aula eu perdi, hein?).

Enfim, a timidez faz parte da minha personalidade e há tempos aceitei isso. Numa boa.
O engraçado é que muita gente nem acredita que eu sou tímida, enquanto outros me acham a própria encarnação da timidez. Eu estou por aí, no meio entre uma coisa e outra. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Outras pessoas, ainda, me perguntam como eu posso ser tímida e cantora. Como se fossem coisas incompatíveis. Não são. No palco, embora não seja a pessoa mais extrovertida do mundo, consigo me soltar. Imagino que algo se apodera do meu corpo. Nada a ver com Espiritismo; apenas crio uma espécie de personagem, que fala (e canta) por mim. Já numa entrevista... Ai, ai!

Outro parto é falar em público. Na faculdade, tremia feito vara verde quando precisava apresentar um trabalho em grupo. Me achava tão ridícula! Mas fazer o quê? Não acho fácil mesmo!

Fato é que, com tantas coisas que fiz na vida (faculdade de Comunicação e algumas aulas de teatro, pra citar alguns exemplos), acabei conseguindo “soltar o verbo” com mais facilidade. No sentido de dizer o que penso.


Hoje em dia, às vezes, ando precisando até de um freio. Língua solta ou “sincericídio”, não sei. Mas não me seguro mais, como antes. Não consigo simplesmente fingir ser o que não sou ou pensar o que não penso. Doa a quem doer, esta sou eu. Prazer! Não gostou? Paciência. Minha ou de quem não gostou...

sexta-feira, 16 de março de 2012

O que é normal?


Quase todos os dias, ouço alguém dizendo, ou até a mim mesma, que “Fulano é maluco, Sicrana é doida” etc. Mas se a gente for parar pra pensar, o que é, afinal, ser normal?

Podem deixar, não vou discorrer sobre as muitas síndromes psiquiátricas que surgem a cada dia. Nem vou entrar no mérito de que todo mundo hoje tem certas características dessas síndromes e, se procurar um psiquiatra, vai acabar sendo enquadrado como doente. Não, não serei polêmica a este ponto.

Queria só dizer que acho ótimo quando alguém diz que sou maluca. Sim, pois num mundo onde a falta de educação, bom senso e respeito ao próximo é o normal; onde se fazem as maiores atrocidades, se cometem os crimes mais bárbaros, se rouba descaradamente e nada acontece; onde o bacana é ser desonesto mesmo, pois “malandro é malandro e mané é mané”; onde é legal ser bonito, descolado, malhado e sem cérebro; onde se passa por cima dos outros sem a menor dor na consciência; onde ninguém é de ninguém, onde não se quer relacionamento algum porque dá muito trabalho, dou graças a Deus de ser “fora do esquadro”!


Pra quem ainda não se convenceu, um "recadinho básico":





quinta-feira, 15 de março de 2012

O inferno são os outros!


Muita gente reclama, e com razão, da falta de educação das pessoas. Da falta de repeito, outras da inveja, outras ainda da falsidade. Concordo que tudo isso é bem desagradável. Mas um comportamento tem me deixado ainda mais incomodada, por ser cada vez maior: o individualismo.

Certos comportamentos me irritam demais, mas não é por ser muito “certinha” ou “careta”. Um exemplo está numa simples ida ao supermercado. Não é raro encontrarmos, ao fazer compras, carrinhos parados bem longe de seus “donos”, que nem sequer se preocupam em deixá-los no canto, para não atrapalhar ninguém.

Outras pessoas param no meio de uma rua, já estreita, em frente ao jornaleiro, para ler as notícias do dia. Pra que se incomodar com os outros que estão passando apressados? Dar passagem? Nunca. Problema deles!

Está chovendo, seu guarda-chuva é enorme e você precisa esperar pelo ônibus? Esqueça os outros que estão bem ali atrás, tentando ver se sua condução se aproxima. O que importa é você se proteger, mesmo que seu guarda-chuva tape a visão deles.

E é isso que me irrita de verdade: eu sempre me preocupo em não incomodar. Mas parece que sou exceção.

Outro dia assisti a um vídeo que vai justamente na direção oposta desta tendência. Achei incrível:



Vamos passar adiante essa ideia? Pois como dizia o profeta, “gentileza gera gentileza”.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Choro alegre


Quando estou triste, choro
Se sinto raiva, às vezes choro
Até vendo novela
Sinto os olhos marejarem
Se vejo uma boa história, choro
Quando termina um amor, choro
Se algo triste acontece, choro
Mas choro mais gostoso não tem
Que chorar de gargalhar

segunda-feira, 12 de março de 2012

Por que (ainda) precisamos do 8 de março

No dia 8, pensei e repensei em escrever. Mas não sabia muito bem como expressar minha simpatia pela data. Não, não faço questão de parabéns por ser mulher. Sei que não é fácil, no dia a dia.

Agradeço, mas não é isso.

Significa menos ainda me presentear com vestidos, maquiagens, acessórios.

Hoje, finalmente, li o que faltava dizer sobre a data. Leiam também:

http://impressoesexpressas-claudia.blogspot.com/2012/03/8-de-marco-e-historia-de-manu.html#comment-form

Acho que não preciso dizer mais...

Os orientais e suas lições


Depois de assistir a (mais) uma reportagem sobre os japoneses lembrando uma de suas tragédias, fiquei pensativa. Me bateu uma tristezinha, sem saber por quê.

Desastres naturais acontecem, e são mesmo, muitas vezes, previsíveis. Mas a gente, principalmente do lado ocidental do nosso planeta, tenta se esquecer disso a qualquer custo. Mas o que mais me entristeceu foi saber como somos pouco preocupados com o coletivo. Tão diferentes dos orientais.

Aliás, esses povos milenares me parecem, em muitos pontos, muito mais adiantados que nós. Eles tratam bem seus velhos, a quem valorizam, pela experiência, sabedoria e maturidade. Eles sabem viver em sociedade. Eles se preparam para o futuro. Eles não têm, como nós, medo de envelhecer. Sua alimentação é pensada para evitar doenças. Seu estilo de vida reflete a preocupação com o futuro. De todos.

Não estou dizendo, aqui, que precisamos todos deixar nossos países de origem e ir morar no Japão, Índia ou China. Apenas que é bom conhecermos um pouco do pensamento daqueles que moram lá do outro lado da Terra. Eles não são nada bobos, e têm muito a nos ensinar.

sábado, 3 de março de 2012

Oração


Que eu saiba sempre aceitar as mudanças da vida – sejam elas quais forem.
Que eu mantenha sempre a alegria de viver.
Que eu continue sempre sensível, ainda que chorona e chata.
Que meu corpo e minha mente sejam sempre compatíveis.
Que eu continue me encantando.
Que eu ame (inclusive a mim mesma) incondicionalmente.
Que eu saiba conservar meus amigos – ao menos os melhores.
Que eu possa perder tudo, mas não perca a dignidade, nem a vontade de seguir em frente.
Que eu tenha sempre orgulho – e nunca vergonha – das marcas do tempo no meu rosto e corpo (que eu lembre que elas contam minhas lágrimas e meus risos).
Que eu não perca a fé – na Arte, no amor, na vida, nas pessoas, no mundo.
Que eu continue desapegada de dinheiro – mas não tenha problemas ou culpa em ganhá-lo.
Que eu não vire uma louca consumista, ainda que ganhe muito dinheiro.
Que eu consiga continuar trabalhando no que gosto - ou que, ao menos, goste do que for fazer.
Que eu conserve o humor – mesmo que nem todos o entendam.
Amém.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Exercício de sensibilidade


Certa vez, estava assistindo à entrevista de uma atriz (não vem ao caso o nome dela) na televisão. Não me lembro de metade do que ela disse, mas uma coisa me marcou: ela comentou que o ator precisa constantemente fazer exercícios de sensibilidade. Senti falta do entrevistador perguntar que tipo de exercício é esse, mas de qualquer forma, isso me fez pensar.

Trazendo essa reflexão para a música, concluí que todo artista precisa exercitar sua sensibilidade. E não só os artistas.

Lembro que, uma vez, a repórter Glória Maria fez uma palestra na minha faculdade (pra quem não sabe, sou formada em Comunicação Social). E ela falou que o jornalista, diante de tantas notícias alarmantes todos os dias, facilmente vai “endurecendo”. Então, é importante que ele não perca... Adivinhem? A sensibilidade! Tudo para que ele não ache tudo banal demais e perca a capacidade de se indignar ou se encantar diante de um fato.

É assim também que os artistas precisam agir, afinal, a gente não pode perder a capacidade de se encantar e de se indignar. Pare um pouco e pense: quantos artistas parecem apenas abrir a boca e repetir palavras, tal qual papagaios, ou pior, robôs?

O tal exercício de sensibilidade da atriz continua sendo um mistério para mim (afinal, o bendito jornalista não se ligou que muita gente poderia se interessar). Mas tenho cá meus métodos. Ouvir música, ler, assistir a filmes, peças, exposições, espetáculos de dança são só exemplos. Mas o mais importante é procurar fazer tudo isso com o olhar de uma criança, que está vendo tudo pela primeira vez.

Ninguém é mais sensível que uma criança, que ainda está começando a conhecer o mundo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Trovinha



O importante é que, mesmo depois de tudo, de todos os encontros e desencontros da vida, eu não perdi o medo de amar. Porque eu posso cair e me arrebentar. Mas quero voar, e quando tenho vontade, ninguém me segura!


Ô abre alas, que eu quero passar...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Quieta


Acho que estou, aos poucos, voltando ao meu “estado normal”. Eu, que já passei um longo tempo de “seca criativa”, quase sem exercitar minha escrita, por pura insegurança. Eu que, depois, vi as palavras jorrando de mim quase como num tsunami. Eu que perdi horas de sono de tanto que elas gritavam para serem libertadas. Eu que usei minhas palavras como catarse, para me autoanalisar.

Agora, depois que passei dias maravilhosos em Recife e Olinda, pulando e cantando feito louca (não é assim um folião?), fazendo as pazes com o carnaval e a alegria, volto a precisar pensar para a inspiração chegar. Confesso que isso até me dá um alívio. Estava com medo daquela prática quase mediúnica.

Vontade de falar da minha viagem, de falar de mim (não vou falar de mais ninguém, pois me parece fofoca, e eu não quero expor ninguém). De não falar de nada e viver, apenas. Respirar e me sentir viva.

Por ora, é só.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Fazer a mala e andar...


Malas quase prontas, coração aos pulos e alma leve...

Quase tinha me esquecido do quanto gosto de viajar, conhecer pessoas, lugares e culturas diferentes da minha...

Vou conhecer uma parte do Brasil que me fascina especialmente, por sua riqueza cultural popular e sua alegria, principalmente: o Nordeste.

Carnaval no Recife, aí vou eu!!!

O menino que consertou o mundo

Achei a cara do blog!

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Bom Carnaval, gente!!! Amanhã vou pra terra do frevo e do maracatu!

Pontuada

(Danny Reis)


Há dias em que faço pausas, reflito
Estou reticente
Noutros, escandalosa
Exclamativa
Noutros ainda, só questiono
Interrogativa
Alguns dias exagero nas pausas
Apostos, explicações
Vírgulas, travessões, dois pontos
Difícil mesmo pra mim
É pôr um ponto final

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Coisas da vida...


Você chega no horário marcado e vem uma espécie de Helga te atender. Sim, uma daquelas mulheres fortes, corpulentas, cheias de sardas e com cara de alemã. A princípio, você se assusta. Mas, até pra quebrar o gelo, você ensaia uma piadinha cretina (elas são ótimas pra isso). Ela ri. Menos mau.

Ela diz pra você entrar e tirar a blusa e o sutiã. Você o faz e espera.

Aí ela vem e diz pra você ficar do lado daquele apetrecho esquisito, que mais parece uma máquina de xerox. Então eu devo enfiar meu peito ali? Sim, deve. Não só isso: você precisa se posicionar do lado do apetrecho (que mais parece, olhando assim de perto, um instrumento medieval de tortura) e colocar sua mama (a esta altura, seu seio adquire o status de “mama”) ali dentro, para ser devidamente amassado. Póim.

Você olha pro seu peito e pensa que virou uma vaca leiteira. Nenhum glamour.

Aí, a Helga diz para você segurar o outro peito e puxar pro lado oposto e pra cima. Você obedece.

- Inclina a cabeça pro alto. Mais pra esquerda. Isso. Puxa mais pro outro lado. Bom.

Será uma pegadinha? Quando é que termina mesmo, hein?

- Agora relaxa.

Hein? Nessa posição? Ela tá de saca.

Como se não bastasse, você precisa mudar a posição, pra examinar essa mesma mama. A mesma coisa pra outra mama.

O glamour agora reduz-se a 10. Negativos.

Até que ela libera você. Ufa, acabou o sufoco.

Não é nada legal fazer mamografia...


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Transparência


(Danny Reis)

Tenho alma transparente
Quase infantil
Sofro e todo mundo vê
Me aborreço e todo mundo nota
Fico alegre e todo mundo sabe
Se amo, a vida me canta
Se odeio, tudo me faz careta
Se canso, tudo descansa ao meu redor
Se agito, o mundo vira do avesso
Com tempo livre, a vida quase para
Sem tempo algum, a vida voa
Voa, vida, mas me deixa voar também!


Eu e a poesia – parte II


Eu mesma, já que gosto tanto de poesia, muitas vezes cometo meus versos por aí. Alguns simplesmente me aparecem, e eu tenho um baita trabalho pra continuar. Outras vezes, a inspiração me pega nos piores momentos: no banho ou no trânsito, quando estou quase dormindo (e eu tenho dificuldade pra pegar no sono). E aí, ela passa, e eu esqueço.


Muitas vezes, estou ouvindo uma música, lendo um livro ou blog, assistindo a uma peça ou filme... E a inspiração vem com tudo – mas cadê o caderninho, que deveria estar aqui?


Quase sempre, meu senso crítico (e não orgulho, ou mesmo vergonha, que estes eu aprendi a enfrentar) me faz jogar fora, ou simplesmente arquivar a ideia. Mesmo que não consiga trabalhar o mote, ele me serve como exercício. Como diz o Sonekka (grande cara, sobre quem ainda planejo falar), estou ficando musculosa!


Talvez me falte, como bem sugeriu o Léo Nogueira (sempre ele!), brincar mais com as palavras. Pode ser. E estou tentando deixá-las virem, já que elas têm jorrado de mim – sem regras, sem governo. Talvez eu precise deixá-las virem assim mesmo, como bichos selvagens. Talvez precise colocar-lhes rédeas – vai saber.


(Mais uma vez, já ia fugindo ao tema: os adoradores de poesia, como eu.)


Achava, até bem recentemente, que a poesia andava obsoleta. Que éramos poucos os adoradores. Mas me enganei – descobri minha turma há cerca de um mês, quando conheci o Corujão da Poesia. Sei que o projeto já existe há muito tempo, capitaneado pelo João do Corujão, e eu dei mole de não ter conhecido antes. Mas as coisas acontecem a seu tempo.


Uma bela noite, saindo de um show no Leblon, com dois amigos queridos (Marfiza de França e Tony Pelosi), fomos ver a inauguração de mais um Corujão, na Praça Cazuza. Ideia da Marfiza, que também costuma "puetar", e conhece meio mundo artístico, claro!


Foi identificação (pra não dizer paixão) à primeira vista. Um bando de malucos, em plena rua, sentados em banquinhos, esperando sua vez de dizer um poema – seja de sua autoria ou não.


Cheguei tímida, mas logo resolvi soltar o verbo, com o “Soneto do Maior Amor”, do “Poetinha” Vinicius. Em seguida, já estava cantando minha música Palavras (ouça aqui), parceria com Felipe Radicetti.


Saí encantada, com a sensação plena de ter encontrado minha “tribo”. E prometendo, naturalmente, frequentar mais o projeto.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Eu e a poesia

Sempre gostei de poesia, desde que ela servia (na minha cabeça) apenas para ilustrar a Gramática escolar. E eu mal sabia o que era. Mas sabia o que ela causava em mim. Causa até hoje.

Já disse que amo as palavras. “As ditas e as não ditas”, como escrevi na letra da canção (minha parceria com o organista, pianista, compositor etc. Felipe Radicetti). Aquelas que dizem muito, e as que apenas sugerem. E dizem tanto, sem usar tantos recursos... Minha grande dificuldade, aliás: sugerir, de forma econômica. Me acho explícita demais.

Mas eu não estava querendo falar de mim, e sim, desses grandes poetas : Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda. Mas não só: falo de Fabrício Carpinejar (sobrenome que sempre me pareceu um verbo), Etel Frota, Marcelo Batalha, Lucia Helena Corrêa, Sérgio Veleiro, Abel de Jesus Requião. E os letristas, que a mim, não deixam a desejar em nada à poesia: Zé Edu Camargo, Alexandre Lemos, Léo Nogueira, Tony Pelosi, SergioNatureza, Luhli, Lucina.

Meus mestres. A quem “invejo” criativamente. Pessoas cujas palavras almejo não copiar ou mesmo fazer parecido. Mas que eu coloco num pedestal, para que um dia – quem sabe – eu consiga chegar perto.

Elisa Lucinda. Outra grande. Que ainda interpreta, e com maestria, seus poemas.

 Tenho tantos mestres – que muitas vezes nem imaginam – que não conseguirei citar todos num texto simples como este. Só queria mesmo deixar registrada minha gratidão por esses caras um dia terem existido – e alguns deles, eu ter conhecido pessoalmente. Minha alegria.




sábado, 4 de fevereiro de 2012

Minha mãe é minha voz

Ela foi a primeira voz
Desde a primeira vez
Que o som se fez
Nunca desafinou
Nunca perdeu o tom
Cantarolava feliz
Cada verso diz mais
Quando vem emoldurado por sua voz
E eu aprendi muito bem
Sempre tento ecoar
A voz primeira
A voz mais bela
A voz de mar
Da minha mãe
(Ceumar, in: Mãe)

Esta letra linda é de uma música (mais uma!) da Ceumar. Mas, como eu sofro de “inveja criativa” (by Léo Nogueira), “entrei numas” que a compus para minha mãe. Não estou falando da mãe que me criou, mas da que me pôs no mundo. A Graça morreu pouco depois de eu nascer (minha astróloga diz que seríamos parecidas demais para conseguirmos conviver – vida estranha!), então fui criada pela irmã dela – a Stela, a quem sempre vi como minha mãe, nunca como minha tia ou mesmo madrinha (mesmo tendo sido batizada por ela). Pois é, laços de família. A história daria mesmo uma bela novela do Manoel Carlos! Mas “esta é minha vida, este é meu clube”. Dos meus dois pais, pretendo falar numa publicação à parte.


Minha mãe Graça, novinha. Me acho muito parecida.

Duas histórias curiosas a esse respeito:

  1. Minha mãe gostava de cantar, e sempre cantava pra mim, quando me esperava. A música preferida, na ocasião, era Felicidade – a que hoje estampa meu braço, numa tatuagem -, de Lupicínio. Corta para quando eu já era bem crescidinha e ouvi uma gravação da Rita Lee para a canção – e a reconheci, só não sabia de onde. A letra não estava clara na minha memória, mas a melodia, sim. Fui, então, perguntar à minha mãe (Stela, claro), de onde a podia conhecer. Foi então que ela me contou sobre as músicas cantadas na gravidez da mãe Graça. Mistérios...
  2. Além de gostar muito de cantar, a Graça adorava uma festa com cantoria – e eu sou igualzinha. Então, “resolvi” que ela está mais perto de mim nessas ocasiões. Assim como todas as vezes que eu canto. Resolvi também que ela canta junto comigo, de alguma forma: seja através da minha voz, seja me “soprando” as melodias. Então, hoje à tarde, conversei sobre o assunto com meu amigo e produtor Tony Pelosi. Ele adorou a história toda, e fez uns versos (poema ou letra?), que me mandou por e-mail:


Voz da Graça
(Tony Pelosi)

Quando eu era
quase nada
Confortável no
escuro
ouvindo a voz
da minha mãe
Tive um sonho
a quatro cores
que deixou
a impressão
Que hoje tenho
do macio
quando ouço
uma canção

Quando eu era
quase grande
desprezei
todos os muros
Fiz de mim
o meu algoz,
minha prisão
Tive um sonho
preto e branco
que manchou
como carvão
Que hoje eu uso
em disfarce
pra esconder
a indecisão

Quando eu sou
sem ter tamanho
vejo a sombra
lá no muro
que parece
um coração
Tive um sonho
transparente
que fez luz
na direção
Que hoje eu sigo
mais seguro
minha voz
é uma canção.

*** Tony, se esta letra virar canção, já escolhi a que vou cantar naquele seu projeto de CD! :)

Sou uma ET

Num papo pela rede social Facebook com a jornalista Carol Vidal, tive a inspiração pra novos versos (que, como sempre me acontece, vieram assim: soltos, livres, sem métrica, nem rima):


Meu mundo
(Danny Reis)

Vivo num mundo à parte
Um mundo de sonhos e fantasia
Enquanto uns olham pra fora
Eu olho pra dentro de mim
Uns vivem a correr
Eu tento me concentrar
E só pra contrariar
Faço tudo devagar
Uns perdem a paciência, se irritam
Eu me irrito mas tento voltar ao centro
Uns fazem ciência
Eu faço só o que intuo
Uns precisam de regras
Eu só preciso lembrar de quebrar todas elas

Imagem do filme Amor além da vida, que adoro!

*** Pra você, Carolzita, "Minha jornalista". Espero que goste. :)))

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Regras da nova ortografia

Algumas pessoas já me pediram encarecidamente para publicar um (ou mais) textos com regras sobre o novo acordo ortográfico.


Pois bem, eu também preciso me atualizar! :)


Então, por que não recorrer a um mestre de verdade (sou apenas uma simples revisora)?


Com a palavra, o professor Sergio Nogueira:


Dúvidas dos leitores



AVISÁ-LO ou AVISAR-LHE?
O verbo AVISAR é transitivo direto e indireto. Se você avisa, pode “avisar alguma coisa a alguém” ou “avisar alguém de alguma coisa”.
Portanto, as duas formas são possíveis:
“É preciso AVISAR-LHE (=objeto indireto) as novidades (=objeto direto);
“É preciso AVISÁ-LO (=objeto direto) das novidades (=objeto indireto).
Não devemos “avisar-lhe das novidades” (=dois objetos indiretos) nem “avisá-lo as novidades” (=dois objetos diretos).
 “Enfrentar de frente”. Pode?
Depende. Pode falar, mas somente a ênfase justificaria o seu uso.
Leitor quer saber: “Num relatório da empresa em que trabalho, encontramos logo no primeiro parágrafo: Enfrentando de frente… Está correto ou é uma tremenda redundância?”
Enfrentar de frente” apresenta o mesmo problema de “encarar de frente”. Trata-se de uma redundância. A menos que alguém prefira enfrentar ou encarar “de costas”. 
EXTRATO ou ESTRATO?
Leitor quer saber se a frase a seguir está correta: “Esse aumento de 40% na matrícula trouxe para o ensino médio uma população de extratos mais baixos de renda.”
“Tratando-se de “camadas”, o correto não seria ESTRATOS?”
O nosso leitor tem razão.
a)    ESTRATO = “camada”. O certo é “estrato social”, “sociedade estratificada” (=dividida em camadas), “estratosfera”…
b)    EXTRATO = “essência, resumo, sumo” (vem do verbo EXTRAIR): “extrato de tomate”, “extrato bancário”, “extrato (= essência de perfume)”…
LINKAR ou LINCAR?
Em vez de fazer um link, prefiro LIGAR, UNIR ou CONECTAR. Temos aqui, um belo exemplo de estrangeirismo desnecessário. É o tal do “neobobismo linguístico”.
Pior ouvi na transmissão de um jogo de futebol americano por um canal internacional. Os narradores, brasileiros contratados para narrar os jogos em português, demonstraram a sua “enorme” preocupação com língua pátria.
Ao ser focalizado o presidente do time vencedor, o primeiro disse: “Este senhor é o chairman”. O outro, preocupado com o fato de os brasileiros não saberem o que é um chairman, apressou-se para explicar: “Chairman é o big boss”. Aí, toda a galera entendeu…
ACRIANO ou ACREANO?
Comentário de um leitor: “O que está acontecendo com os naturais do estado do Acre. Quando o crime é do deputado, é acriano. Quando é do vereador agora empossado, é acreano. Será uma questão de status?”
Não é questão de status.
O antigo dicionário Aurélio registrava as duas formas.
Segundo o novo Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras e o dicionário do mestre Evanildo Bechara, quem nasce no Acre é ACRIANO. Não há registro de acreano.
DESAFIO AO INTERNAUTA
Qual é a forma correta?
a)    hidro-sanitária OU hidrossanitária?
b)    sócio-político OU sociopolítico?
c)    micro-empresa OU microempresa?
d)    mini-série OU minissérie?
e)    mega-evento OU megaevento?
Segundo o novo acordo ortográfico, só devemos usar hífen após prefixos ou falsos prefixos dissílabos e terminados por vogal (auto, contra, infra, ultra, sobre, anti, mini, micro, mega, hidro, socio, tele…) se a palavra seguinte começar por H ou vogal igual: auto-hipnose, auto-observação, anti-herói, anti-inflamatório, sobre-humano, sobre-erguer, mini-hospital, mini-internato, contra-ataque…
Assim sendo, as respostas corretas são:
a)    hidrossanitária;
b)    sociopolítico;
c)    microempresa;
d)    minissérie;
e)    megaevento.

(Fonte: http://g1.globo.com/platb/portugues/)


*** Espero ter ajudado... :)